Investigadora sugere potenciação das tradições orais cabo-verdianas para mobilizar vinda de turistas ao arquipélago

Cidade da Praia, 11 Jan (Inforpress) – A representante da Cátedra de Unesco em Património Imaterial Maria Filomena Gonçalves sugeriu hoje a intensificação das tradições orais cabo-verdianas, mormente as de religiosidade popular, visando mobilização de turistas de todo mundo ao arquipélago.

A também professora e investigadora, que está em Cabo Verde pela primeira vez, falava à imprensa, na Cidade da Praia, à margem da conferência “Património e patrimónios classificados: o caso do Alentejo”, enquadrado no âmbito da celebração dos 20 anos da Convenção da Unesco sobre o património imaterial.

Segundo Maria Filomena Gonçalves é de “suma importância” que, à semelhança da Morna Património da Humanidade, outras tradições orais, que passam ao lado, sejam resgatadas e levadas ao conhecimento internacional, e colocadas ao serviço do turismo, que é o “grande motor” de economia em Cabo Verde.

A mesma fonte lembrou que o arquipélago tem uma “característica única”, com os três tipos de património, material, imaterial e natural para explorar.

Durante a conversa com os jornalistas, a mesma explicou que trouxe a Cabo Verde o exemplo Alentejano por ser a região de Portugal que tem conseguido classificar junto da Unesco mais manifestações do seu património imaterial com três classificações, conseguidas, conforme reconheceu, graças a convenção da Unesco de 2003, que criou um marco que permitiu potenciar o interesse das próprias comunidades pelo seu património e levá-lo ao resto do mundo.

E porque também é muito emblemática a situação do Alentejo, cogitou que esta pode servir de exemplo para Cabo Verde.

“Pode servir de exemplo na medida em que Cabo Verde tal como Alentejo tem expressões culturais e materiais que podem ajudar a potenciar em primeiro lugar a valorizar perante os próprios, isto é, perante os cabo-verdianos de cada uma das ilhas ou no seu conjunto potenciar com valores culturais a cultivar e transmitir às gerações vindouras isso é muito importante, começa por casa”, disse.

Em segundo lugar, completou, trata-se de uma forma de potenciar nichos de turismo de forma articulada com aquilo que já se pratica em Cabo Verde, que é o turismo de sol, praia e de natureza.

Conforme sustentou, a intensificação destes nichos de turismo pode ser “muito enriquecedor” porque, é o que vai, a longo prazo permitir uma grande sustentabilidade do turismo.

Segundo Maria Filomena Gonçalve, dar a conhecer verdadeiramente a cultura cabo-verdiana graças a manifestações como a Morna Património da Humanidade é uma forma de valorização da actividade económica que é o turismo.

“Mas há outras manifestações culturais do povo cabo-verdiano que passam a lado do estrangeiro, a tabanca pode passar ao lado, tradições orais que por serem evidentemente produzidas em crioulo não são tão acessíveis aos turistas, mas havendo um trabalho integrado em que o turismo convencional, o que procura lazer, sol e praia e ao mesmo tempo vá ao encontro destas manifestações culturais e se torna de alguma maneira embaixador de Cabo Verde”, ressalvou.

Nesta linha, vincou a representante da Cátedra de Unesco em Património Imaterial a importância de as outras manifestações culturais “profundamente populares” serem “resgatadas” e, sobretudo, levadas ao conhecimento internacional.

De entre eles mencionou a tabanca, tradições à volta por exemplo da religiosidade popular, procissões, manifestações várias que, referiu, vale a pena investir nestes nichos que são capazes hoje em dia de mobilizar turistas que vem de qualquer parte do mundo.

“Porque são realmente muito ricas e são parte do vosso património junto com aquilo que é imóvel, a fortaleza, o crioulo cabo-verdiano, o cabo-verdiano é o grande património imaterial dos Cabo-Verdiano podemos agregar ao valor cabo-verdiano muitas outras dimensões”, afirmou Maria Filomena Gonçalves.

TC/AA

Inforpress/Fim

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