Inspeção-geral no Trabalho lamenta “registo elevado” de acidentes no trabalho em Cabo Verde

Cidade da Praia, 28 Abr (Inforpress) – O inspetor-geral do Trabalho, Anildo Fortes, lamentou hoje, na Cidade da Praia, o “registo elevado” de acidentes no trabalho em Cabo Verde, que muitas vezes provoca vítimas mortais, indicando que 2021 registou três acidentes fatais resultantes de quedas.

Anildo Fortes, que falava à imprensa à margem da conferência em homenagem às vítimas de acidentes de trabalho e doenças profissionais, apontou também que em 2020 houve nove acidentes mortais, uma diminuição em 2021, no entanto, frisou que o ideal é não haver perdas de vidas humanas ou acidentes que possam causar danos irreparáveis aos trabalhadores.

Segundo Anildo Fortes, os acidentes do ano 2021 foram registados na ilha de Santiago (um), outro na ilha de São Vicente e outro na ilha da Boa Vista.

Em termos gerais, o responsável identificou as ilhas de Santiago, São Vicente e Sal como aquelas que registaram maior número de acidentes no trabalho.

Desde 2017, mencionou, a tendência tem sido de aumento dos registos de acidentes no trabalho.

A Inspeção-geral no Trabalho constatou um decréscimo em 2019, mas “infelizmente”, sustentou, este número voltou a aumentar, e muitas vezes com acidentes mortais.

O sector da construção civil é o que tem mais registo, por ser, segundo Anildo Fortes, uma área que comporta “muitos riscos”, daí a insistência da inspeção-geral em realizar formações e acções de sensibilização viradas ao sector.

“Digo registos porque nem sempre todas as informações chegam a inspeção-geral do trabalho, mas nos últimos anos temos feito um trabalho de sensibilização tanto a nível das empresas como também das seguradoras e das estruturas de saúde e também da Polícia Nacional que têm comunicado os acidentes no trabalho por isso é a cada vez um aumento dos registos”, sublinhou Fortes.

Isto quer dizer, explicou, que estes dados não representam toda a realidade de Cabo Verde, são registos de apenas os acidentes que a Inspecção-geral do Trabalho toma conhecimento e faz os inquéritos necessários para apurar as causas do acidente.

Caso for detectado incumprimento por parte das entidades empregadoras, completou, são aplicadas sanções.

Entretanto, Anildo Fortes referiu que durante as inspecções a equipa tem registado melhorias, mas há consciência da necessidade de reforçar as medidas.

“A maior dificuldade é incutir nos trabalhadores a necessidade de utilização dos equipamentos de protecção individual e também para cumprirem as normas de segurança, porque muitos não usam (…)”, ressalvou.

Por isso,  Anildo Fortes apelou aos trabalhadores para que usem os equipamentos de proteção individual, lembrando que as empresas são obrigadas a fornecer os equipamentos de forma gratuita, se não estão sujeitas a aplicação de sanções, e que os trabalhadores têm de recusar a trabalhar caso a empresa não forneça esses equipamentos.

TC/AA

Inforpress/Fim

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