Injectar dinheiro no Novo Banco seria “chutar o problema com a barriga” e “aumentar” mais responsabilidades – ministro

 

Cidade da Praia, 24 Abr (Inforpress) –  O ministro das Finanças, Olavo Correia, disse hoje que injectar  dinheiro no Novo Banco (NB) seria “apenas chutar o problema com a barriga para a frente”   e “aumentar”  mais responsabilidades, pondo em causa os depósitos dos clientes.

“A única solução era estancar o problema e encontrar alternativas para o financiamento as micro, pequenas e médias empresas, que é o que estamos a fazer”, disse o governante durante a interpelação no Parlamento sobre o Novo Banco, alvo de uma resolução por parte do Banco de Cabo Verde, entidade reguladora.

Segundo o ministro, o Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) não tinha soluções para aumentar o capital do NB, porque diz ele, não fê-lo em 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016.

Por sua vez, o PAICV, na voz do seu deputado José Maria Fernandes  Veiga, quis saber se o ministro mandou verificar qual seria o impacto da extinção do NB nas finanças públicas cabo-verdianas.

Em resposta,   o ministro das Finanças respondeu  que se tratou  de  uma “decisão corajosa” pelas suas implicações para o sistema financeiro, mas que se resolveu um problema hoje, com vista a acautelar um problema para o futuro.

A publicação da lista dos clientes do NB num  dos jornais da praça veio de novo à discussão, com o deputado do PAICV Rui Semedo a lembrar que num Estado de direito democrático, os dados dos cidadãos  “são sagrados”, pelo que “devem ser preservados e utilizados com parcimónia”.

Para Rui Semedo, eventualmente não foi o ministro a pôr na rua aqueles dados pessoais, mas disse ele, “não cuidou bem daqueles dados que lhe foram comunicados”.

“Alguém do seu gabinete terá agido mal”, concluiu o deputado do maior partido da oposição.

“Não partilhei  com ninguém informações  sobre esta matéria”, afirmou Olavo Correia, referindo-se à lista que veio ao público.

Para o governante, se alguém mandou tais informações para o público, “a responsabilidade é desta pessoa e há uma instituição que está a averiguar e, na altura própria, avaliaremos”.

Lembrou ainda   que aprendeu  a trabalhar como supervisor e, por isso, para ele, o sigilo bancário é “algo sagrado”.

Na sua intervenção, Nuías Silva, eleito nas listas do PAICV, deixou transparecer que a criação do NB era “necessária e oportuna”  e “devidamente justificada” como “instrumento e mecanismo político integrado  de alavanca à economia social”.

Reagindo a estas declarações, o ministro das Finanças afiançou que  o Governo do  PAICV tinha criado uma “empresa inviável”, numa referência ao NB,  e, segundo ele,  contribuiu para o seu “apodrecimento durante vários anos”.

Os deputados da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) disseram “estranhar” a interpelação solicitada pelos parlamentares do Movimento para a Democracia (MpD), partido que suporta o governo no Parlamento, uma vez que a situação do NB já tinha sido “esgrimida o suficiente em termos políticos e da comunicação social”.

“A partir do momento em que a Procuradoria-geral da República  tomou conta do  caso, nós, os políticos, deveríamos deixar a solução jurídica  deste problema aos  tribunais”, precisou o líder dos democratas-cristãos, lamentando que os políticos  estejam  a protagonizar uma “situação embaraçosa”, uma vez que cria dificuldades de entendimento a nível social, enquanto a imagem da Assembleia Nacional fica “cada vez mais turva”.

LC/AA

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos