Inforpress faz participação contra O País na ARC

Cidade da Praia, 16 Abr (Inforpress) – A Agência Cabo-verdiana de Notícias – Inforpress enviou esta semana uma participação à Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) contra O País, na sequência de um editorial publicado recentemente por aquele jornal on-line.

Trata-se, segundo uma nota da Inforpress, de um editorial publicado no dia 12 de Abril pelo jornal o País com o título “Inforpress lança pânico, medo e desconfiança sobre a Covid-19 em Cabo Verde”.

O texto do online escreve que “Agência pública de notícias deturpou, não se sabe a troco de quê, informação sobre as projecções de casos de Covid-19, em Cabo Verde”, e mais à frente refere que “A Agência de Notícias, não se sabe com que intenções, passou por cima do termo projecção, e espalhou o estudo como se uma realidade fosse. A sua ‘notícia’ sobre a projecção acabou por lançar pânico, medo e desconfiança”.

O argumento do jornal para fazer tal acusação de que a Inforpress produziu uma informação “bombástica e errada”, segundo o documento assinado pela directora de informação da agência, Dulceneia Ramos, é de que “a projeção apresentada na última sexta-feira, 10, nota-se bem, projecção, aponta que, caso as autoridades nacionais nada fizessem, poderíamos chegar a ter perto de 40 mil casos e, pelo menos, 430 mortes, no horizonte de Julho”.

O facto é que, segundo a nota da única agência de notícias do País, na notícia da Inforpress, já no título, deixa bem claro que de projecções se tratava e ao longo do texto se refere de forma expressa e sempre às projecções.

Portanto, entende a Inforpress que o Opais.cv não pode dizer que a agência não informou que se tratava de projecções.  E diz a mesma fonte que, no texto publicado pela Inforpress em 10 de Abril, as expressões “projecção” ou “projecções” são utilizadas em pelo menos três ocasiões, inclusive no título da notícia.

“O estudo, que foi apresentado aos jornalistas num encontro e foi publicado na página do Ministério da Saúde, fala de duas projecções, sendo um num cenário sem medidas e outro num cenário com medidas e apresenta ainda várias outras projecções nos cenários com o cumprimento da quarentena a vários níveis (30, 40, 50, 70%)”, lê-se.

A Inforpress afirma ainda que destacou a projecção, que nas palavras do consultor, José Augusto Fernandes, se aproxima do contexto actual de Cabo Verde e que “foi feita com base nos dados fornecidos pela Direcção Nacional de Saúde até 08 de Abril”.

“O primeiro cenário, sem medidas, aponta que Cabo Verde registaria no período de 27 dias após pandemia 165.501 casos confirmados e 1.821 mortes. Isto num cenário sem medidas. É o que está no estudo e foi dito pelo apresentador do estudo e pode ser confirmado”, prossegue.

Na mesma nota, a Inforpress frisa ainda que a projecção que aponta para 38.961 casos e cerca de 430 mortes refere ao cenário com medida e com 74,1% da população em casa, como o País se encontra e que é por isso que o consultor defende o alargamento do estado de emergência.

“Apenas podemos concluir que a Inforpress cumpriu o seu dever de prestar informação com isenção, rigor e exactidão. Ademais, esta linha de enfoque foi seguida por vários órgãos de informação. Se a notícia provocou medo e pânico nas pessoas, a culpa não foi da Inforpress que se limitou a relatar as conclusões do estudo”, escreve a agência.

Na referida nota, a Agência Cabo-verdiana de Notícias diz também que o estudo foi encomendado pelo Ministério da Saúde e Segurança Social “não com o propósito de avaliar as medidas tomadas, mas sim para fornecer os dados e informações para a planificação”.

“O Ministério da Saúde através da Direcção Nacional da Saúde chamou os jornalistas, apresentou as projecções, deu os pormenores. Em nenhum momento do encontro foi pedido aos jornalistas que não divulgassem os números”, relembra.

A Inforpress, pelo facto de entender que “fez o seu trabalho com sentido de responsabilidade, com rigor e verdade, cumprindo as regras jornalísticas”, submeteu à ARC uma participação contra o jornal online O Pais “no sentido de ser averiguado se este jornal cumpriu com as suas obrigações legais de produzir e divulgar informação com verdade, rigor, independência e isenção e de acordo com a lei e no estrito respeito dos mais elevados padrões deontológicos”.

GSF/ZS

Inforpress/Fim

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