INE lança IV inquérito às despesas e receitas familiares para avaliar nível de pobreza em Cabo Verde

Cidade da Praia, 12 Abr (Inforpress) – O Instituto Nacional de Estatística (INE) lançou hoje na Praia, o projecto do IV inquérito às despesas e receitas familiares 2022, para avaliar e medir o perfil da pobreza no País, após a pandemia da covid-19.

O vice-presidente do INE, Fernando Rocha, disse, em declarações à imprensa, que esta operação estatística a nível do Sistema Estatístico Nacional tem “grandes objectivos”, nomeadamente determinar a pobreza em toda sua dimensão pobreza extrema e absoluta.

Outro objectivo é avaliar e medir o perfil da pobreza no País no contexto pandémico em que o mundo e Cabo Verde se vive, tendo apontado a necessidade de se ter indicadores para avaliar até que ponto as famílias cabo-verdianas sofreram com a crise provocada pela pandemia da covid-19.

Fernando Rocha salientou, por outro lado, uma das metas do Governo, o de acabar com a pobreza extrema e reduzir a pobreza absoluta, pelo que ressalvou, esta é uma das operações que irá permitir “dar essa resposta”.

 Outro grande objectivo do IV inquérito às despesas e receitas familiares 2022 é avaliar o nível de conforto e bem-estar das famílias cabo-verdianas.

O propósito desta operação, segundo este responsável, incide, igualmente, na determinação de um indicador “extremamente importante” para o País que é Produto Interno Bruto (PIB), que para isso, há necessidade de se ter informações sobre o consumo privado das famílias.

“Tem ainda o último objectivo que é determinar informações que irá nos permitir actualizar o cabaz de consumo das famílias no País, que nos permite determinar o Índice de Preço do Consumidor que é a Taxa de Inflação no País”, assinalou Fernando Rocha.

O inquérito previsto para arrancar em Outubro, orçado em quase 242 mil contos, decorrerá a nível nacional com cerca de 7.600 agregados inquiridos, estando no terreno cerca de 80 agentes incluindo inquiridores, coordenadores e supervisores.

Fernando Rocha fez saber que os agentes estarão no terreno durante um ano a acompanhar as mesmas famílias durante 15 dias e serão entregues às famílias uma caderneta em que lhes será solicitado o registo de todas as despesas que realizam durante um mês.

O vice-presidente do INE destacou a importância deste inquérito, indicando que neste momento trabalha-se com o último inquérito realizado em 2015, e toda a taxa de pobreza tem sido estimada sobre esta base, daí, indicou, a necessidade de se realizar esta operação agora, que normalmente é realizada de cinco em cinco ano.

O inquérito é financiado pelo Governo, Banco Mundial através do projecto regional e as Nações Unidas, no entanto Fernando Rocha sublinhou que ainda o orçamento não está completo, em falta cerca de 20%, que o INE espera conseguir junto de parceiros e amigos do Sistema Estatístico o Nacional, concretamente a União Europeia e Cooperação Luxemburguesa.

“Cada vez há menos recursos para realizar operações estatístico no terreno, e estamos a apostar agora fortemente na melhoria do aproveitamento dos dados administrativos que é o caminho e a recomendação internacional para os institutos nacionais de estatísticos”, referiu o vice-presidente.

Disse ainda que a metodologia, a proposta e estratégias de sensibilização estão prontas, no entanto a estratégia dos anos anteriores foi corrigida uma vez que o contexto é “diferente”.

“A pandemia obriga os institutos de estatísticas e o sistema estatístico no seu todo adaptar-se a actual situação do País, daí que nós queremos uma estratégia clara, estamos a nível do INE a inovar em termos daquilo que é a recolha dos dados no terreno em termos daquilo que é todo o processo de aquisição de informação estatística derivado dessa situação”, precisou.

Mas, salientou que a metodologia é igual a do ano 2015, para que se possa ter elementos que causem efeito comparativo, já que o “forte” da estatística é a comparação.

Fernando Rocha reiterou ainda a importância da estatística, para o desenvolvimento e governação do país sob justificativa de que são necessários os indicadores para que se tome “melhores decisões”, por isso apelou às famílias cabo-verdianas a colaborar com o INE, fornecendo os dados aos agentes no terreno.

TC/CP

Inforpress/Fim

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