Indicadores de natalidade e fecundidade em 2016 revelam uma “ligeira diminuição” – INE

 

Cidade da Praia, 02 Jan (Inforpress) – Os indicadores de natalidade e fecundidade, em 2016, revelaram uma “ligeira diminuição” em relação aos últimos cinco anos desta série temporal, informa o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o Anuário Estatístico de Cabo Verde (AECV) de 2016, de entre os indicadores de natalidade e fecundidade constam o Índice Sintético de Fecundidade (ISF), a Taxa Bruta de Natalidade (TBN), a Taxa Bruta de Reprodução (TBR) e a Taxa Líquida de Reprodução (TLR).

A nível dos concelhos, São Vicente é o concelho que apresentou o valor mais baixo, tanto no ISF (1,95%), como no TBR (0,95%) e TLR (0,93%).

No que se refere á TNB, Ribeira Grande foi o concelho que registou o valor mais baixo, ficando nos 14,35%.

Santa Catarina do Fogo é o concelho com o valor mais alto no tocante ao ISF (2,94%), TBR (1,43%) e TLR (1,40%), e a ilha do Sal com o mais alto valor a nível do TBN (24,08%), de acordo com as projecções demográficas feitas pelo INE, de 2010 a 2030.

Quanto à gravidez na adolescência,  foram atendidas em 2015, nos serviços de saúde reprodutiva um total de 10.169 grávidas, das quais 1.938 em idade precoce (19,1%).

Do total de casos em idade precoce (e em relação ao total de grávidas), registaram-se 16 grávidas na faixa etária 10-13 anos (que corresponde a 0,2%), 405 na faixa etária 14-16 anos (equivalente a 4,0%) e 1.517 na faixa etária dos 17-19 anos (que corresponde a 14,9%).

O Anuário realça que dos 16 casos de gravidez ocorridos na faixa etária 10-13 anos, 10 são do concelho de São Vicente, correspondente a 62,5% na referida faixa.

A taxa de cobertura das consultas pré-natal e partos, em 2015, manteve-se praticamente nos mesmos níveis, situando-se em 95,6% e 47,9%, respectivamente, quando comparada com o ano de 2013.

Entretanto, a situação não é a mesma quando comparada com a de 2011, revela o Anuário Estatístico de Cabo Verde (AECV) de 2016.

Relativamente à média das consultas de pré-natal, nota-se um aumento de 1,8 pontos percentuais, passando de 4,4%, em 2013, para 6,2%, em 2015.

Em relação a cobertura vacinal em 2015, a proporção de crianças menores de um ano de idade (< 1 ano) completamente vacinadas foi de 90,2%.

Em termos de vacina BCG, tendo em conta que ela é aplicada ao nascimento (logo após o parto), registaram-se taxas acima dos 100%, na estrutura/concelho onde o parto ocorreu.

No Centro de Saúde do Paul, por exemplo, não se realizam partos. No outro extremo, Santa Catarina regista uma taxa de 152,8% de vacinas BCG, pois a grande maioria das grávidas da região sanitária de Santiago Norte fazem o parto no hospital que cobre a região.

Considerando as outras vacinas (Pólio 3, Pentavalente 3 e Sarampo), registaram-se, em 2015, taxas de cobertura acima de 90%, conforme os dados do INE.

A taxa de cobertura da primeira consulta das crianças de menor de 1 ano decresceu de 110,6%, em 2011, para 99,3%, em 2012.

Esta diminuição também se constata no mesmo período, em relação aos outros indicadores, revela o INE no Anuário Estatístico 2016.

A partir de 2013, verifica-se uma retoma, passando de 98,3% para 101,2%, em 2015, situação que se regista em relação à média de consultas (9,9% em 2013 para 10,4% em 2015).

No que concerne às consultas de pré-natal, os indicadores revelam algumas oscilações de 2013 a 2015. Contudo, os valores de 2015 são superiores aos de 2013.

Analisando ainda os dados do Anuário constata-se que a taxa de mortalidade passou de 5,1%, em 2011, para 5,2%, em 2015, tendo registado 4,9%, em 2013.

Esses dados evidenciam nitidamente um aumento da taxa de mortalidade no período em análise. Em alguns períodos, nota-se que essa taxa mantém-se praticamente nos mesmos níveis.

A taxa de mortalidade materna, no período em análise, registou uma oscilação acentuada.

Sendo considerado um indicador volátil, tendo em conta o número de óbitos maternos a ela subjacente, verificou-se que, em 2012, a taxa de 9,6/100.000 nascidos vivos traduziu-se no registo de 1 óbito materno, enquanto em 2015, a taxa de 47/100.000 nascidos vivos representa a ocorrência de 5 óbitos maternos.

A taxa de mortalidade infantil registou uma diminuição acentuada, no período em análise, passando de 23,0, em 2011, para 15,3, em 2015 por 1.000 nascidos vivos (em 2013 era de 21,4), graças, particularmente, à componente neonatal precoce que sofreu um decréscimo de 14,1 para 8,1 (em 2013 era de 13.4) por 1.000 nascidos vivos.

Esta diminuição deveu-se, essencialmente, a melhorias implementadas na atenção ao parto. E, por conseguinte, a taxa de mortalidade nos menores de 5 anos também registou uma redução significativa, passando de 26,2 para 17,5 por 1.000 nascidos vivos (23,6 em 2013), diz o INE.

O estudo diz também que as afecções perinatais continuaram a ser as principais causas da mortalidade infantil em Cabo Verde, seguidas das anomalias congénitas e infecciosas e parasitárias, tanto em 2011 como em 2015.

No entanto, nota-se um decréscimo em relação às afecções perinatais passando de 61,8%, em 2011, para 50,9%, em 2015, tendo-se verificado o contrário em relação às anomalias congénitas (12,2%, em 2011, para 17,5%, em 2015).

Analisando o número de óbitos, constata-se que, em 2015, ocorreram 2.744, traduzindo-se num aumento de 217 óbitos (8,6%), quando comparado com o ocorrido em 2011.

Observando os dados em relação aos sexos, no mesmo período, verificasse um aumento do número de óbitos tanto no masculino (passando de 1.486 para 1.517) como no feminino (de 1.041 para 1.227).

As doenças do aparelho circulatório continuam a ser a principal causa de mortalidade em ambos os sexos, tendo o sexo feminino apresentado maior taxa (156,3%) do que o masculino (140,6%). Como segunda causa de mortalidade, encontram-se os sintomas mal definidos (69,2%).

Nestes, notam-se também diferenças significativas por sexo, ou seja, a taxa de mortalidade devido a sintomas mal definidos foi de 79,3% para o sexo feminino e 59% para o masculino.

A terceira causa de mortalidade corresponde aos tumores ou neoplasias (66,3%), verificando-se uma situação contrária às anteriores, em que o sexo masculino apresenta maior taxa (masculino 73,5% e feminino 59,1%).

De acordo com os dados, a taxa de mortalidade para a população de 65 anos e mais ronda os 55%, com nítidas diferenças por sexo (63,9% para o sexo masculino e 49,7% para o feminino).

Globalmente, o INE confirma que a estrutura etária da mortalidade geral mantém a mesma configuração dos anos anteriores, reflectindo a fase de transição epidemiológica em que o país se encontra.

JL/AA

Inforpress/Fim

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