Independência/45 anos: “Cabo Verde deveria estar mais avançado” ao nível desenvolvido em vez de rendimento médio – Presidente da República

Cidade da Praia, 03 Jul (Inforpress) – O Presidente da República considerou hoje que “seguramente Cabo Verde deveria estar mais avançado”, porque tem condições, sobretudo tecido humano e qualidades para potenciar um nível de desenvolvimento verdadeiramente desenvolvido em vez de rendimento médio.

Em conferência de imprensa, por ocasião do 45º aniversário da independência nacional, que se celebra a 05 de Julho, Jorge Carlos Fonseca, referiu que Cabo Verde poderia ser hoje um “país mais livre, mais democrático, mais justo, mais competitivo” e, essencialmente, um país mais inclusivo e menos desigual nas suas componentes.

“Não estamos mais avançados do que estamos porque não trabalhamos suficientemente para estarmos mais desenvolvido. Acho que devíamos ter trabalhado mais e sobretudo melhor. Cabo Verde podia ter avançado mais em termos de solidez das instituições. Os relatórios internacionais dão-nos conta dos nossos calcanhares de aquilhes”, aclarou.

O Chefe de Estado criticou os níveis de violência doméstica, sexual e contra crianças que, atestou, estão a níveis pouco aceitáveis, enquanto reflexos de uma cultura que não coloca Cabo Verde na montra dos países democráticos, por ser um país que foi pouco exigente em trabalhar estes sectores.

Explicitou, entretanto, que os ganhos conseguidos hoje têm uma diferença assinalável em relação aos anos da luta clandestina, altura em que o arquipélago contava com dois liceus, Gil Eanes em Mindelo e Adriano Moreira na Cidade da Praia e um único aeroporto internacional, na ilha do Sal, e três tribunais.

Destacou, contudo, que os níveis da democracia cabo-verdiana e de esperança média de vida, bem como a educação, o acesso à justiça e a liberdade de imprensa, para afiançar que todas estas conquistas orgulham os cabo-verdianos como país arquipelágico, da Costa Ocidental africana e sobretudo, a sua pessoa como Presidente da República.

Já com 51 anos dedicados à actividade política, Jorge Carlos Fonseca, que a 05 de Julho de 1975 era militante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), partido do qual entrou em Julho/Agosto de 1968, com apenas 17 anos, recorreu à sua juventude para admitir que nessa altura via a independência como algo estranho.

Referiu que enquanto jovem recrutado para a luta da clandestinidade, “a ideia da independência de Cabo Verde era estranha e difícil de imaginar como é que o país seria”.

Já no segundo ano do seu último mandato como o mais alto magistrado da Nação, Jorge Carlos Fonseca, que trabalhou com os governos do PAICV chefiado por José Maria Neves e do MpD de Ulisses Correia e Silva, foi claro em afirmar que não teve problema em coabitar com qualquer um dos executivos por ser um defensor da Constituição.

O Chefe de Estado alegou que cada um dos chefes do Governo “têm os seus feitios e percursos políticos diferentes” já que no primeiro mandato foi Presidente de um governo que vinha, seis meses antes, de uma terceira maioria absoluta e de um partido que não apoiou a sua eleição, como Presidente da República.

“Foi uma espécie de inovação no contexto da democracia cabo-verdiana, de uma espécie de coabitação porque fui apoiado por sectores políticos que não eram aqueles que provinham do Governo, mas a avaliação é que as coisas correram com toda a normalidade. Não houve nenhuma crise política relevante no país. Foi uma experiência bem-sucedida, naturalmente que houve falta de sintonia em alguns dossiers”.

Quanto ao segundo mandato, que já vai em quatro anos com a governação de Ulisses Correia e Silva, do MpD, defendeu que a sua postura continua a ser “exactamente a mesma, de autonomia, de independência do Presidente da República que pretende exercer a sua influência política e moral sobre a sociedade cabo-verdiana e a governação”.

Crítico quando necessário, que apelo quando for justo, que várias vezes divergiu do Governo como do próprio primeiro-ministro, que vetou diplomas do Governo num número equivalente ao que vetou quando o Governo da maioria do PAICV, até porque, revelou, com esta maioria devolveu mais diplomas ao Governo para correcção.

O Chefe de Estado realçou que em ambas as governações teve de lidar com temas difíceis como o Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos, com José Maria Neves e do  “Acordo do Estatuto do Pessoal” (SOFA, do inglês ‘Status of Forces Agreement’) entre Cabo Verde e os Estados Unidos da América (EUA) na governação de Ulisses Correia e Silva.

SR/HF

Inforpress/Fim

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