Ilha do Sal: Saúde Reprodutiva atende diariamente cerca de 20 adolescentes que enfrentam o desafio da gravidez

 

Espargos, 05 Mai (Inforpress) – Os serviços da Saúde Reprodutiva na ilha do Sal atendem todos os dias uma média de 19 meninas grávidas com menos de 18 anos, que enfrentam o desafio da gravidez na adolescência.

Perante a sensação de que actualmente há um aumento de gravidez precoce na ilha, já que esbarra-se a todo o momento com miúdas aparentemente dos seus 14/16 anos, grávidas, a ir e vir da escola, e em todo o lado, a Inforpress foi à Saúde Reprodutiva local para se inteirar da real situação da ilha nessa matéria.

Lamentando, essa “triste” realidade, a enfermeira Josefa Oliveira, responsável pelos serviços da Saúde Reprodutiva local, ao fazer um ponto da situação, disse, entretanto que comparado com anos anteriores, as últimas estatísticas deste ano indicam que não tem havido um aumento de casos de gravidez precoce, nas faixas etárias de 10/13, 14/16 e 17/19.

Mas, “surpreendentemente”, este mês de Abril os serviços depararam um caso de gravidez precoce, numa miúda de 13 anos, em estado avançado de gestação, cuja “descoberta” causou espanto à mãe que a acompanhava.

Ainda no mesmo mês atendeu-se uma outra adolescente de 15 anos também grávida, porém, informa que a maior parte das pré-mamãs são de idade compreendida entre os 16 e 19 anos.

Segundo a enfermeira Josefa, diariamente os serviços da Saúde Reprodutiva controlam uma média de 19 grávidas adolescentes mas todos os meses aparecem 5/7 novos casos de gestantes que dão à vista pela primeira vez.

Compreendendo que informação sobre a questão é o que mais abunda, Josefa Oliveira diz-se admirada quando ao falar com as meninas, a maior parte não se manifesta preocupada ou não tem consciência que seu presente e futuro vai se alterar radicalmente, e raramente para melhor, já que interrompem os estudos, perdem uma das fases mais bonitas da vida que é a juventude… que invertem seu processo e percurso de existência.

”Como se costuma dizer, Jesus é antes da queda. Têm acesso a informações mas muitas das vezes não sabem utilizá-las. E, quando chegam à Saúde Reprodutiva já é tarde demais porque vêm grávida, e com a justificação: aconteceu, apanhou-me de surpresa ou ainda, porque quis… sem medir consequências ou noção de responsabilidade”, lamentou.

Interrogando-se sobre o que é afinal melhor, se uma gravidez precoce ou um planeamento familiar, a enfermeira Josefa apela aos pais a estarem atentos porque esta geração está a iniciar, cada vez mais cedo a sua vida sexual, daí levarem as suas filhas, especialmente, para controlo e orientação, sem qualquer tabu.

Nesta base, perguntada se os serviços da Saúde Reprodutiva estão preparados para esse tipo de orientação, responde: “Na plenitude e dentro do possível. Estamos preparados para trabalhar com essa faixa etária no sentido da prevenção, esclarecimentos e dissipar dúvidas. Diz o velho ditado popular que mais vale prevenir do que remediar”, acautelou.

Confrontada se as pessoas não procuram estes, serviços, antes, por considerarem haver falta de sigilo, a responsável foi peremptória: “A técnica de saúde fica a sós com o paciente. Parede não tem buracos. São elas mesmas a anunciar o seu estado, o seu problema ou a sua agenda antes de se dirigirem à Saúde Reprodutiva. O que passa aqui fica aqui dentro. E temos ética profissional. Estamos abertos e disponíveis”, sublinhou.

SC/CP

Inforpress/Fim

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