Ilha do Sal: Salenses dizem-se indignados com postura e comportamento dos parlamentares

Espargos, 02 Fev (Inforpress) – Pessoas de diferentes extratos sociais, na ilha do Sal, que vêm acompanhando os trabalhos da sessão da Assembleia Nacional, dizem-se indignadas com o comportamento dos parlamentares, considerando tal procedimento de “vergonhoso” e de “autêntica falta de respeito” para os eleitores.

Em jeito de desabafo, em declarações à Inforpress, algumas pessoas que durante esses dias vinham acompanhando as sessões parlamentares, dizem lamentar o facto de terem de assistir, ouvir pessoas com poder de decisão ou de discutir os problemas do país “real”, em sessões de “autênticas palhaçadas”.

Vão mais longe, referindo ainda que os eleitos parlamentares aproveitam estas sessões, para, de quando em vez, atacarem um ou outro sector de trabalho, sendo a classe jornalística a maior vítima.

“Entretanto, temos deputados que não sabem articular, expressar-se sequer em crioulo mormente em português. Não conseguem organizar de forma coerente uma única ideia, e o ataque é o prato forte das suas intervenções. Isso não pode continuar assim. São representantes do povo e não o dono do mundo ou de Cabo Verde”, desabafa, Fernanda Dias, em tom de revolta.

Elísio Silva, também descontente com o comportamento dos deputados na Assembleia Nacional diz entender que a função desse grupo é de representar o povo, os problemas do país, discutir de modo a encontrar soluções e “não um jogo” entre os maiores partidos.

“E pelos debates, vergonhosos, um jogo de quem errou mais… nem sequer é um jogo de quem conseguiu fazer o melhor. Valha-nos Deus. E, infelizmente, o povo está entregue a essas cabeças, que só puxam a brasa à sua sardinha. Julgo que todos os cabo-verdianos estão fartos disso”, desabafou, visivelmente dececionado, desiludido.

Tendo entrado, por acaso num botequim, onde, através da rádio, um grupo de pessoas estava a ouvir os trabalhos no Parlamento, a Inforpress constatou que os comentários também não eram as melhores, vinham de toda a forma, acompanhados de nomes obscenos.

“Os deputados não têm postura, formação pessoal. Deixam muito a desejar. É uma tristeza, uma vergonha. Estão a ignorar os interesses dos cabo-verdianos que os puseram lá para os defender. São arrogantes e sentem-se importantes” exteriorizam prognosticando que a abstenção será a “grande vencedora” nas próximas eleições.

Sem “papas na língua”, Arnaldo Gomes (um dos presentes) rebate dizendo que quem fala dos deputados fala também dos governantes.

“Falemos também dos membros do Governo… do senhor primeiro-ministro que perde a classe com uma facilidade tremenda. Enquanto cidadão sinto-me envergonhado, ao mesmo tempo enraivecido, por saber que os cabo-verdianos não são os únicos a ouvir os debates parlamentares, porém, povos também de vários países, e que ficam a fazer chacota…”, exteriorizou.

Falando de chacota, o mesmo indivíduo aponta que mesmo os cabo-verdianos estão a fazer pouco dos governantes e deputados, no faceboock.

“É triste, e a que ponto chegamos”, observou.

Igualmente indignada com a “postura e vocabulário” dos parlamentares, Marlene, uma aluna do 12º que quer pender-se para a área de direito, entende que é uma “falta de respeito” a maneira como os deputados perdem o tempo na Assembleia com discussões que em “nada  elevam”.

“E, sabendo que ganham, e ganham bem para lá estar (…). Às vezes fico com pena do presidente da Assembleia Nacional, o senhor Jorge Santos, porque até parece que está a lidar com turmas de crianças que não têm a noção de como se comportar numa sala de aula”, exteriorizou em tom de ironia.

Perante o desagrado, direccionando o apelo nos dois sentidos, uns e outros apelam os cabo-verdianos, a deixarem de lado a militância ou simpatia política e “começar” a pensar Cabo Verde no seu todo.

“O povo tem um poder que desconhece. Nós damos poder aos partidos que depois formam os governos. Nós é que os colocamos lá”, notam.

E, para os deputados, membros do Governo, a oposição, todos que estão na casa parlamentar, o apelo vai no sentido de um “maior respeito” para os cabo-verdianos, eleitores, enfatizam.

SC/FP

Inforpress/Fim

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