Ilha do Sal: Salenses apreciam trabalho dos jornalistas e pedem para não terem medo de investigar e publicar

Espargos, 03 Mai (Inforpress) – Alguns cidadãos na ilha do Sal dizem respeitar e apreciar o trabalho dos jornalistas pelo que pedem aos profissionais da área a não terem medo de investigar e publicar informações de interesse público, seguras e confiáveis, de forma livre.

Estas declarações foram feitas quando abordados pela Inforpress, a propósito do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, assinalado hoje, 03 de Maio.

Estribados nos últimos acontecimentos que colocam dois jornalistas do País, e respectivos órgãos perante as barras dos tribunais, por terem levantado o véu a uma questão que alegadamente se encontrava em segredo de justiça, dizem que isso causa-lhes alguma preocupação enquanto cidadão, por se tratar de um País onde o regime se diz democrático.

“A liberdade de imprensa deve estar no seu nível mais alto, e não é o que se verifica em Cabo Verde. A democracia implica o acesso a informações transparentes, seguras e confiáveis”, comentou Luís Monteiro, admitindo que após a Independência a esta parte, regista-se, porém, algum progresso neste capítulo.

Hoje com 59 anos, lembra-se que ainda criança, um sacerdote católico, supostamente director do jornal Terra Nova, foi levado às barras do tribunal e houve uma manifestação “muito forte” na cidade do Mindelo aplaudindo esse homem “pela coragem”.

“Mas nem tudo está vencido, há ainda várias conquistas a serem feitas, alcançadas. Bendita esta data… o Dia da Liberdade de Imprensa é uma conquista na sociedade cabo-verdiana”, sublinhou.

Licenciada em informática, Elsa Medina destaca o papel do jornalista que, conforme acentuou, mantém as pessoas informadas desde o pequeno acidente na estrada às grandes questões no parlamento cabo-verdiano, até aos conflitos laborais, e outras informações a vários níveis de interesse.

“Eu, pessoalmente sinto-me satisfeita com o trabalho dos jornalistas, cujos esforços nos ajudam, com certeza, a compreender as coisas, e consequentemente, a construir um mundo melhor para todos. A imprensa tem um papel muito importante, o de informar e consciencializar os cidadãos sobre determinadas matérias dentro e fora do País”, analisou.

Na mesma linha, João Andrade, comerciante, considerou, entretanto, e em tom de crítica, que jornalistas com cor política, não é nada abonatório para a informação pública.

“Mas posso dizer, que o jornalista, ciente da sua missão tem feito um trabalho razoável”, exteriorizou.

Júlio Rendall, reformado, ex-funcionário da TACV, que também diz ter “muito respeito” pelo papel do jornalista na sociedade, seja ela qual for, e principalmente a cabo-verdiana, manifestou, entretanto, preocupação quanto à questão da autocensura.

“A sociedade cabo-verdiana é pouco reivindicativa, um bocado amorfa, então o papel do jornalista é importante no sentido de despertar consciência, trazer ao debate público determinadas situações que afectam toda a sociedade… por isso tenho um respeito muito grande pelos jornalistas e os órgãos de comunicação social”, reiterou.

“Apesar de todo o trabalho feito pelos jornalistas em Cabo Verde tenho alguma preocupação quando ouço dizer que há autocensura. Fico preocupado porque se há autocensura é porque alguma coisa não está bem”, reflectiu, ilustrando que hoje os dados apontam que Cabo Verde desceu nove pontos no Índice de Liberdade de Imprensa.

“Isso quer dizer que alguma coisa está a afectar o trabalho dos jornalistas e dos Órgãos de Comunicação Social, em geral. Receio que estejamos a regredir neste aspecto de liberdade de imprensa em Cabo Verde”, concluiu.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, proclamado pela ONU em 1993, é assinalado esta terça-feira sob o lema “Jornalismo na Era Digital”, para se reflectir sobre o impacto do digital na liberdade de expressão, segurança dos jornalistas, acesso à informação e privacidade.

A data foi criada para alertar sobre as impunidades cometidas contra centenas de jornalistas que são torturados ou assassinados como consequência de perseguições por informações apuradas e publicadas por estes profissionais.

SC/ZS

Inforpress/Fim

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