Ilha do Sal: Salenses aplaudem declaração de estado de emergência e apelam ao cumprimento “à risca” das normas

Espargos, 28 Mar (Inforpress) – As pessoas, no Sal, aplaudem a declaração de estado de emergência hoje pelo Presidente da República, face à pandemia do novo coronavírus (covid-19) apelam uns e outros para o cumprimento “à risca” das normas estabelecidas.

Considerando tratar-se de uma “fase difícil”, em que muitas pessoas terão dificuldade em lidar com as regras desse decreto, a maioria com quem a Inforpress conversou diz que contra a força não há resistência, porém há que lutar contra “esse inimigo invisível”.

“É a saúde das pessoas, da comunidade que está em causa. É uma situação nunca vista, mas temos todos que colaborar. Não faço ideia do que vem pela frente (…) mas que a situação é séria, é séria”, exteriorizou Mónica Lima, com ar de preocupação.

Outros, entretanto, entendem que o estado de emergência era desnecessário, embora a enfrentar “tamanha calamidade”.

“É uma faca de dois gumes. Por um lado, joga-se no sentido de proteger a comunidade, a saúde, a vida das pessoas, mas estas imposições, que tiram a liberdade às pessoas, mesmo que seja por 20 dias, pode ser perigoso, trazendo outros problemas”, exteriorizou, alguém que não quis que seu nome fosse revelado.

Para Piduca Brito, figura conhecida no meio salense, foi um “grande bem” decretar o estado de emergência, embora a medida, conforme disse, já “vem tarde”.

“Esta posição devia ser tomada há muito tempo. E cada qual deverá ser responsável, acatar as regras impostas para que se possa dar combate ao coronavírus, a Covid-19”, manifestou.

Apreensivos estão, também, responsáveis de restaurantes, chefes de família, funcionários que foram para casa, algumas lojas e as empresas pior ainda, pedindo apoios “o mais rapidamente possível” ao Governo.

Pede-se moratórias para o pagamento das dívidas, dos impostos, da segurança social e do crédito à habitação, medidas, entretanto, que o Governo já tem acautelado.

“O Governo já anunciou uma série de medidas (…) é verdade, mas não se sabe que canais aceder, como, e que empresas poderão beneficiar, de forma a driblar essa fase terrível por que se está a passar, resultante da covid-19”, exterioriza a dona de um bar, que diz ter de fechar as portas a partir de segunda-feira, receando não poder pagar os empregados, já que o movimento “foi fraquíssimo”.

As ruas das cidades de Espargos e de Santa Maria têm estado particularmente desertas há alguns dias devido à situação do novo coronavírus, pandemia que obrigou o Governo a tomar medidas de contingência,  e o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, a anunciar, hoje, em mensagem à Nação, o estado de emergência no País.

Cabo Verde continua a registar até ao momento no arquipélago cinco casos positivos de covid-19 e um óbito.

Três casos foram registados na semana passada na ilha da Boa Vista, dois turistas ingleses e uma turista dos Países Baixos.

Um dos turistas ingleses, de 62 anos, morreu na segunda-feira e os restantes já foram transferidos para os países de origem.

Na cidade da Praia, ilha de Santiago, estão confirmados dois casos, um casal.

SC/AA

Inforpress/Fim

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