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Ilha do Sal: Pessoas idosas carecem de amor afecto e carinho – entrevistados

Espargos, 15 Jun (Inforpress) – Familiares de pessoas idosas, no Sal, consideram que pais ou parentes nessa fase da vida carecem “mais do que nunca” de amor, afecto e carinho, censurando aqueles que exercem violência física ou psicológica sobre os velhos.

A propósito do Dia Mundial da Consciencialização da Violência Contra a Pessoa Idosa assinalado hoje, 15 de Junho, a Inforpress abordou algumas pessoas sobre a efeméride, que aproveitam para contar as suas referências e vivências com a pessoa idosa.

A data foi criada em 2006 pelas Nações Unidas e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa, tendo como objectivos reflectir numa questão social sensível e acabar com a violência contra a pessoa idosa.

O Estatuto do Idoso no parágrafo 1º do artigo 19, dispõe que, (…) considera-se violência contra o idoso qualquer acção ou omissão praticada em local público ou privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico.

Filho de Marcelina Gomes, que conta 88 anos, o pastor da igreja do Nazareno, Luíz Monteiro, hoje com 57 anos, um dos entrevistados, lembra “com saudades e carinho”, conforme disse, a vivência e o relacionamento da mãe com os seus 10 filhos.

Segundo Luís Monteiro a sua maior referência de agregado familiar constituído pela sua mãe, seu pai e irmãos, a maior figura é a mãe, não só por lhe ter gerado, mas por ter dispensado os cuidados, desde o nascimento, toda a infância, adolescência, e até mesmo na vida adulta.

“A minha mãe é uma referência que nunca sairá da minha mente, e eu tenho tido atitudes no sentido de a homenagear por aquilo que ela representa e tem feito por mim, mesmo muito avançada em idade. O seu amor, o seu cuidado e, sobretudo, a sua preocupação”, sublinhou.

A viver no Sal, mas a mãe em São Vicente, já que quando os filhos chegam à idade adulta cada um toma o seu rumo, e a tendência é os idosos caírem na solidão, mas Monteiro assegurou que a mãe tem todo o carinho dos filhos que estão mais próximos em termos presenciais, mas de quando em vez, admitiu que ela vive uma certa solidão.

“Porque cada um tem a sua casa e ela fica também na sua, então há momentos de solidão, embora os meus irmãos dêem atenção no decurso do dia, mas à noite fica sozinha atrás de um programa da televisão”, contou, ciente que isso não é bom.

Vera de “Nha Marquinha”, como é conhecida, cuja mãe conta 96 anos, diz que a sua relação com a progenitora é de muito “amor e carinho”, referindo que chegou a vez dela e dos irmãos retribuírem toda a dedicação que Nha Marquinha teve com os seus filhos.

Vera é a caçula dos irmãos, a mãe ficou viúva aos 45 anos, tinha ela quatro anos, conforme conta.

“Portanto, já fez muito por mim, agora é a minha vez de retribuir. Tudo o que posso faço à minha mãe”, disse, admitindo que se trata de “uma fase complicada em que os papéis se invertem”.  

Conta que Nha Marquinha, que foi dona de um bar, na ilha, continua com o seu jeito autoritário e actualmente lamenta o facto de estar sempre metida em casa por causa da covid-19.

“Domingo gostava de ir à igreja, veio a pandemia (…). Mas a gente vai-lhe dando ocupações, descasca batata, exercita os movimentos, a mente, escrevendo o seu nome, o nome dos filhos, a sua data de nascimento, entre outras tarefas para não ficar parada”, mencionou.  

Cientes de que a violência não é apenas agressão física, podendo ser também da forma verbal, de negligência, falta de atenção e afecto, tanto um como outro exortam os filhos e familiares de pessoas idosas a tratarem bem os seus entes queridos nessa faixa etária, porque a vida é um ciclo.

SC/HF

Inforpress/Fim

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