Ilha do Sal: Pais lamentam situação de gravidez precoce e exortam adolescentes a terem cautela e discernimento

 

Espargos, 05 Mai (Inforpress) – Um grupo de pais e encarregados de educação na ilha do Sal lamenta a situação de gravidez precoce que tem prevalecido e exorta os adolescentes a terem cautela e discernimento ao iniciarem a sua vida sexual, evitando, assim, serem mães antes do tempo.

Abordado sobre esse fenómeno, o desafio social e as consequências da gravidez na adolescência, alguns pais que já viveram essa experiência, avançaram em declarações à Inforpress, que depois do choque inicial acabam por aceitar a gravidez, com ou sem condições para criar o neto ou a neta.

Admitindo, que actualmente, os pais e encarregados de educação têm um diálogo mais aberto e franco com os filhos e filhas sobre este problema, essa juventude continua, entretanto, a não ter discernimento, a dar passos “mais largos que as suas próprias pernas” numa trajectória de desenvolvimento pessoal e social, prejudicando a sua vivência enquanto adolescentes.

“É uma pena. Mães de palmo e meio são o que agora mais se vê no Sal. Criança com criança ao colo e sobre os cuidados e preocupação dos avós. É motivo de preocupação em função das consequências a todos os níveis para o desenvolvimento tanto das pequenas mães quanto da criança”, desabafa Irene Silva que aos 42 anos de idade já é avó de uma neta de seis meses.

Lamentando o facto de a gravidez na adolescência estar a ocorrer cada vez mais cedo e com isso os problemas se tornam mais graves, principalmente em adolescentes da camada social com menor poder aquisitivo, levando-as a abandonar a escola, a alterar o seu processo de vida e desenvolvimento, os pais exortam a todos e cada um, a viverem com ponderação, um dia atrás do outro porque há tempo para tudo, isto é, tempo para nascer, crescer e amadurecer.

“É preocupante constatar essa situação de maternidade infantil, não só no Sal mas a nível do país, porque estamos numa era onde as crianças, jovens e adolescentes têm total acesso às informações, também as infra-estruturas de saúde disponibilizam meios e informações, daí não se compreender essa urgência…”, observa Lena Monteiro, que embora não ter vivido ainda a experiência de avó, manifesta-se preocupada com o fenómeno.

Ciente que as coisas não acontecem só aos outros, e neste momento com uma filha de 17 anos grávida, Manuela confessa que desde que descobriu a gravidez de sua primogénita, tem passado por momentos de muita tristeza e angústia, embora, disse, que nascimento de uma criança é sempre uma bênção.

“Fiz sonhos com a minha filha. Ela mudou tudo. A minha vida e o dela também. É claro que não vou abandoná-la justamente num momento que mais precisa de apoio. Agora que é duro é duro. A vida prega-nos cada surpresa. Digo simplesmente: ai meu rico latim. Sim, porque todos os conselhos, exemplos, foram em latim. Não compreendeu nada. Entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Mas um filho é sempre um filho. Não podemos virar-lhe as costas. Temos é que cuidar e continuar a orientar para o futuro”, desafogou.

Questionando-se uns e outros, de quem é a culpa… um conselho para os/as adolescentes: Não é preciso ter pressa para viver. Na vida há tempo para tudo e cada coisa deve ser feita a seu tempo.

Entretanto, confrontado pela Inforpress sobre o que é afinal melhor, se uma gravidez precoce ou um planeamento familiar, uma técnica dos serviços da Saúde Reprodutiva na ilha do Sal preferiu antes lançar um apelo aos pais a estarem atentos porque, segundo disse, esta geração está a iniciar cada vez mais cedo a sua vida sexual… daí levarem as suas filhas, especialmente, para controlo e orientação, sem qualquer tabu.

SC/FP

Inforpress/Fim

 

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