Ilha do Sal: Operadores económicos apreensivos quanto ao futuro com suspensão do lay off (c/áudio)

Espargos, 02 Jan (Inforpress) – Os operadores económicos, no Sal, dizem-se apreensivos quanto ao futuro, com a suspensão do lay off, já que a medida fez com que as empresas ficassem “mais endividadas” e rogam auxílio do Governo para enfrentarem a situação.

Para Manuel António Mendes, empresário na área de hotelaria e rent-a-car, o lay off “nunca deveria existir” ou precisaria, conforme explicou, ser negociado de uma outra forma, que não viesse prejudicar as empresas, contribuindo para um maior endividamento.

Compreendendo, entretanto, a “grande pressão” do momento, já que a pandemia da covid-19 apanhou todo o mundo desprevenido, o empresário manifestou-se satisfeito, por um lado, com o levantamento do lay off, embora preocupado com o futuro das empresas, particularmente as nacionais.

Satisfeito porque, conforme esclareceu, os trabalhadores voltam aos postos de trabalho sem ter de ficar em casa a receber, “tomando isso como um direito adquirido e obrigação da empresa”, mas preocupado por outro lado, porque o lay off fez com que as empresas ficassem “muito mais endividadas”, retomando as actividades sem capacidade ou condições de “aguentar, arcar” com as obrigações, compromissos e responsabilidades.   

“Não sou contra o lay off, mas devia ser melhor pensado. Por exemplo, os sindicatos e a Direcção-Geral do Trabalho não conseguiram explicar convenientemente aos trabalhadores a razão e o objectivo da medida, pelo que muitos laboriosos preferem ficar em casa, a receber sem trabalhar”, observou Manuel António, analisando, nesta medida que a suspensão do lay off é uma “boa notícia”, porque assim os trabalhadores vão concentrar-se, tomar consciência de que se não trabalharem não recebem salário.

Ao fazer essa leitura, a mesma fonte reiterou, entretanto, que o fim do lay off traz também preocupações às empresas e aos empresários já que o futuro é incerto quanto à retoma do turismo, não obstante os sinais.

“Vai ser complicado e traz uma certa preocupação. A verdadeira crise vai começar a partir de agora, que as empresas endividadas como estão, devido à pandemia, vão ter de começar a pagar as obrigações e outras responsabilidades e compromissos, associado à subida de preços e escassez de produtos.

“Nos próximos dois anos não vai ser nada fácil”, comentou, exortando alguma cautela por parte do Governo no tratamento “caso a caso”, das empresas, restaurantes, bares e mesmo hotéis com dificuldades de retoma.  

Menos optimista, Patone Lobo, dono do Hotel Odjo D’Água, perspectiva um ano 2022 muito difícil com a retirada do lay off e sem as mesmas facilidades nas instituições bancárias.    

“Cá por mim, penso que 2022 vai ser muito difícil com retirada do lay off e sem as mesmas facilidades junto ao banco. Se isso acontecer muitas empresas vão fechar as portas”, prognosticou Patone Lobo para quem a nível do fluxo turístico, está-se a sair de uma situação média, porque não foi alta, para se vir entrar numa situação baixa, já que a aproximar-se da época baixa.

“Nos anos bons trabalhamos a 40 por cento (%) na época baixa, mas na actual conjuntura, se calhar nem vamos chegar aos 20%, o que não vai dar para pagar as obrigações e despesas com o pessoal e funcionamento”, concretizou.

“Há que adoptar medidas ou o Governo terá de arranjar dinheiro lá fora para nos ajudar, caso contrário vamos todos morrer”, enfatizou, confiante, todavia, que o executivo, mais concretamente o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, e o ministro do Turismo, Carlos Santos, vão “socorrer” os empresários.

“Ambos conhecem muito bem o sector, são conscientes do que as empresas e os empresários estão a passar. Por isso, acredito que nos vão socorrer”, concluiu.

SC/HF

Inforpress/Fim

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