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ilha do Sal: Músicos animados com retoma da actividade artística nos restaurantes e casas nocturnas

Espargos, 10 Set. (Inforpress) – Os músicos, na ilha do Sal, estão animados com a retoma das suas actividades já que depois de quase dois anos parados, devido à pandemia da covid-19, voltam a tocar ao vivo nos restaurantes e casas nocturnas.

Com o encerramento dos hotéis, restaurantes, bares e outras casas nocturnas, medidas do Governo para evitar a propagação da covi-19, os músicos no Sal, que vivem exclusivamente da música, passaram por “maus bocados”, tendo procurado várias alternativas durante a pandemia para driblar a situação de penúria, já que ficaram sem a sua fonte de renda.

Segundo o guitarrista Dany Pires, um dos músicos da praça, o impacto financeiro tem sido “muito grande”, uma vez que todos os seus compromissos a nível de toque, foram cancelados, dado ao encerramento dos espaços onde actuava diariamente.  

Tendo a pandemia deixado os artistas de música sem palco, Dany Pires conta que teve de buscar outras alternativas, nomeadamente dar aulas de violão a miúdos, mesmo sem poder sair de casa.

“Abri uma escolinha, dou aulas de música em casa, a miúdos e pessoas interessadas em aprender tocar violão, guitarra. Fui assim empurrando os dias, as coisas foram também suavizando”, contou. 

Feliz com a retomada dos shows, Dany acautela, entretanto, que há que continuar a pôr em prática as medidas sanitárias, seguindo todas as restrições para que essa pandemia termine logo e a música ao vivo se restabeleça de vez, porque os músicos têm que trabalhar.

“As coisas já começaram a melhorar. Tenho conseguido fazer pelo menos três actuações semanais, entre Espargos e Santa Maria, o que já dá para tapar algum buraco. Mas vamos aguardar o grande movimento que é o turismo, com a chegada de turistas, abertura dos hotéis, o que nos permite ficar mais tranquilos e seguros”, manifestou, referindo que os músicos estavam com “a corda no pescoço”.

“Muitos colegas sofreram na pele porque não ligaram para pagar a segurança social… Em termos de futuro, vamos ter que aprender a viver e conviver com a covid-19, não creio que o mundo, Sal e Cabo Verde voltem a ser o mesmo. Contudo, estou esperançado que dias melhores virão, mormente com a aposta na vacinação. Essa condição vai favorecer a retoma da economia, do turismo. Estou optimista”, sublinhou.  

Também para Lú, outro músico, que ao seu piano anima as noites, nas esplanadas e nos restaurantes em Santa Maria e nos Espargos, essa pandemia foi como “tirar o tapete debaixo dos pés”, mas os sinais de reabertura foi uma “óptima notícia” para os músicos.  

Acreditando que de entre as várias classes afectadas, a do músico, das pessoas ligadas à área, foi a mais prejudicada pela situação provocada pela covid-19, Lú disse que deu um fôlego de alívio, ao perceber que ia retomar as suas actuações as quais vêm acontecendo há já alguns dias.

“A pandemia deixou-me sem palco, sem trabalho, porque bloqueou o turismo, sector que provoca maior movimentação económica, a todos os níveis. Foi difícil, continua sendo difícil, mas o pior já passou. Vamos lutando”, confessou, referindo que tem animado alguns lugares, não como antes, com o cachê reduzido, e por mais tempo de actuação, mas melhor do que nada, conforme disse.  

Os músicos, uns e outros, apelam a uma mais atenção da classe, por parte da autarquia, no sentido, por exemplo, de permitir licenças para a realização de pequenos eventos, pelo menos, ao mesmo tempo que desafiam a câmara do Sal a fazer o Festival de Santa Maria, à semelhança de São Vicente, mesmo por um “cachê” inferior.

SC/ZS

Inforpress/Fim     

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