Ilha do Sal: Mulheres de diferentes localidades da ilha juntam-se para dizer “basta” à violência baseada no género (c/áudio)

Espargos, 06 Nov. (Inforpress) – Mulheres de diferentes localidades, no Sal, associam-se ao movimento “Mulheres que Inspiram Mulheres (MIM) para dizer “basta” à violência baseada no género, aderindo à causa “Gabriela”, uma jovem assassinada recentemente, pelo namorado, na ilha da Boavista.

Essa manifestação, segundo Lara Fortes, uma das activistas e embaixadora do movimento, tem como objectivo alertar a sociedade civil para o mal social e passar uma mensagem às instâncias superiores do País no sentido de solicitar a efectivação da aplicação da lei da Violência Baseada no Género (VBG), em “todas as alíneas”, para que o arquipélago “não continue” contando e somando mais vítimas da VBG.

Respeitando todas as medidas de prevenção e recomendações relativamente à covid-19, o grupo de activistas sociais, constituído por mulheres maduras, mas também por jovens, posicionou-se na tarde de hoje, na Praça 19 de Setembro, na Preguiça, para em uníssono, embora que de forma silenciosa, através de dísticos, manifestar-se contra a Violência Baseada no Género (VBG), ou qualquer tipo de violência contra o sexo tido mais fraco.

“Nós, as mulheres, ao longo da nossa história sempre fomos submetidas a um sistema patriarcal, tendo sofrido violências de várias ordens e, por isso, entendemos que já é o momento de dizer um “basta” às agressões físicas, psicológicas, contra mulheres, que leva muitas à morte.

Considerando que a Violência Baseada no Género constitui uma violação dos direitos humanos, “representando um obstáculo” para o desenvolvimento de qualquer sociedade, Lara Fortes lamenta a persistência, ainda, desse mal social em Cabo Verde.

“Abraçamos a causa em manifestação de apoio às vítimas de VBG, particularmente no âmbito do assassinato da jovem Gabriela, porque se mantém padrões socioculturais que permitem e justifiquem o controlo e o exercício de poder dos homens sobre as mulheres”, exteriorizou.

Perante os casos de VBG registados no País, Lara Fortes disse que esta manifestação serve, mais uma vez, para chamar a atenção das autoridades, instâncias judiciais, no sentido da aplicação da lei, convenientemente.

“Normalmente, as autoridades só agem depois do facto consumado, do assassinato ter acontecido. As autoridades devem tomar medidas preventivas. Ao primeiro sinal, é importante uma acção rápida, para evitar o aumento de vítimas de agressão, de violência baseada no género. Há que pôr um basta nisso tudo”, concluiu.

“Bater não é um acto de amar, porque quem ama cuida e protege. E nós, as mulheres, temos que ter atitude e tomar uma posição para as coisas que não convém e nos fazem mal”, frisou.

SC/JMV

Inforpress/Fim

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