Ilha do Sal: Moradores satisfeitos com restauração de Pracinha d’Quebrod construída há várias décadas por “Nhô Teodor”

Espargos, 10 Jan (Inforpress) – Gentes da ilha do Sal, moradores da zona de Ribeira Funda, especialmente, manifestam satisfação pela restauração de Pracinha d’Quebrod, tido como uma referência da ilha, construída há várias décadas por “Nhô Teodor” e amigos.

O largo da Pracinha d’Quebrod que agora ostenta o nome de “Nhô Teodor”, Teodoro dos Reis Santos, de nome próprio, quem construiu aquele espaço de encontro de amigos para um jogo de bisca e uril, tem sido admirado por qualquer pessoa que por lá passa.

Uns abanam com a cabeça num gesto de “sim senhor ou formidável”, enquanto outros observam a placa toponímica em homenagem a “Nhô Teodor” e amigos que participaram da ideia e construção da Pracinha d’Quebrod, em tempos idos.

A cerimónia de homenagem a “Nhô Teodor” e amigos, projecto da iniciativa dos filhos, abraçada pela Câmara Municipal do Sal, aconteceu na passada sexta-feira, 06 de Janeiro, dia do nascimento de “Nhô Teodor”, ou Teata como também era chamado.

Se estivesse vivo completaria cem anos, neste dia.

Teodoro dos Reis Santos, cujo nome fica gravado na história toponímica da ilha do Sal, nasceu a 6 de Janeiro de 1923, natural de Lombo Branco, Santo Antão, tendo chegado ao Sal em 1949.

Pedreiro de profissão, inicialmente viveu na vila de Santa Maria, tendo depois estabelecido na vila dos Espargos aquando da construção do Aeroporto do Sal, sito no então Acampamento, Teodoro dos Reis Santos, foi um dos “primeiros impulsionadores” da construção da vila de Espargos.

De modo às pessoas conhecerem um pouco da história, o percurso de Nhô Teodor, nesta ilha, a filha Ana Paula Santos, médica, que também foi deputada nacional, conta que aquando da fixação do pai na vila dos Espargos, não havia nada, nem habitações, nem tão pouco condições de sobrevivência, pelo que ele e seus companheiros tiveram que se acomodar numa gruta na “rotcha”.

Sendo mestre de obras, prosseguiu, participou nas primeiras construções, nomeadamente, o Aeroporto do Sal, o cinema, o Clube do Aeroporto, o dessalinizador, em Espargos, e o depósito para distribuição de água em Santa Maria.

Também, participou das obras do novo Aeroporto, para além das várias habitações, públicas e privadas, de entre as quais, as moradias dos bairros de Ribeira Funda, Priguiça, Lomba Branca e Morro do Curral, estas, destinadas aos funcionários do Aeroporto que vinham de Portugal.

Em 1972, sofreu um “grave acidente” de viação, no percurso Espargos/Santa Maria, em serviço da câmara municipal, tendo ficado gravemente ferido numa perna, o que o levou a ser evacuado para S. Vicente e, posteriormente, para Portugal.

Em 1975, termina o tratamento, chegado ao Sal, devido às limitações provocadas pelo acidente, passa a condição de aposentado por incapacidade.

Nessa condição de aposentado e como “bom amante” que era do jogo de uril e das cartas, decide construir esta pracinha à frente da sua residência, o que é hoje a famosa pracinha d’Quebrod.

“Onde ele e os seus amigos passavam as tardes jogando bisca, uril, cuso e, mais tarde, guritipau, destacando-se de entre eles, o ilustre intelectual e político mindelense, Dr. Onésimo Silveira que, nas suas passagens pelo Sal, sempre dava um pulo à pracinha, para uma mão de uril”, conta Ana Paula Santos.

Teodoro dos Reis Santos, casado com Maria José Dias Santos, mais conhecida por Mari D’Aninha, conta nove filhos, 25 netos, 22 bisnetos e dez trinetos.

SC/ZS

Inforpress/Fim

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