Ilha do Sal: Literatura é um dos “mais tristes caminhos que nos levam a tudo” – Jorge Carlos Fonseca

 

Espargos, 07 Jul (Inforpress) – O Presidente da República manifestou, no Sal, durante cerimónia de abertura da I Edição do Festival Internacional de Literatura, que a literatura é um dos “mais tristes caminhos que nos levam a tudo”, enaltecendo a realização do evento.

Jorge Carlos Fonseca, que presidiu o acto inaugural da festa da literatura internacional que decorrerá na ilha turística durante quatro dias, fez estas observações perante cerca de meia centena de escritores de diferentes latitudes, dos quais destacam-se dez autores cabo-verdianos, entre eles Vera Duarte, Arménio Vieira, José Luís Tavares, Germano Almeida, Dina Salústio, entre outras individualidades.

“A literatura-mundo é como um magma incandescente que avança nessa busca de uma verdade e no esforço para compreendermos o equilíbrio, o sentido da vida, a ordem social que nos envolve. Continuamos todos a acreditar que essa revelação poderá estar nas páginas dos livros que ainda não escrevemos e em cujas palavras iremos descobrir também uma personalidade nossa ainda desconhecida”, ilustrou.

Jorge Carlos Fonseca, enquanto Presidente da República presidiu ao acto de abertura, mas participa nestas actividades literárias na qualidade de escritor, tanto assim é que fez a apresentação do seu mais recente trabalho intitulado “O Albergue Espanhol” – integrado na programação do primeiro dia do festival -, participando também numa conversa, versando o tema “Cabo Verde e Literatura-Mundo”.

Segundo Jorge Carlos Fonseca é em espaços como este, festivais, feiras do livro e colóquios literários que o leitor pode estar junto do escritor falar com ele, escutá-lo, lendo o seu próprio texto.

“Numa comunhão que justifica, na verdade, o objecto último do livro. É no cérebro do leitor que se encontra a última imagem produzida pelas letras do escritor, seja ela Helena de Tróia Shylock ou Dulcineia”, expressou.

Jorge Carlos Fonseca, pondera, para concluir, que se fala que nunca se leu nem se publicou tanto como agora, mas o que as estatísticas não revelam, disse, é o efeito produzido por essa “avassaladora” vontade de se exprimir “sem saber se o outro, de facto, nos entende”, finalizou.

Depois dos discursos, fez-se um intervalo, para de seguida a professora Inocência Mata inaugurar o corpo científico do Festival de Literatura-Mundo do Sal, tendo na sua conferência versado o tema “Anotações introdutórias sobre a Literatura-Mundo.

“Literatura-mundo é um instrumento que vem, de certa forma, neutralizar esse monolitismo, ampliar o cânone literário (…) porque pressupõe um diálogo entre as várias literaturas, vários autores, independentemente da sua área geocultural e das suas temáticas”, explica a doutora em letras, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Universidade de Macau.

O evento que vai provocar uma afluência diferente, durante quatro dias na ilha, presença de autores, estudiosos, tradutores e mediadores da Literatura-Mundo, é promovido pela Câmara Municipal do Sal em parceria com Rosa de Porcelana Editora a Curadoria José Luís Peixoto, e a Empresa de Segurança Aérea (ASA), enquanto mecenas principal do acontecimento.

SC/AA

Inforpress/Fim

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