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Ilha do Sal: Coordenadora “Casa dos Avós” lamenta situação de solidão, negligência e violência física de idosos (c/áudio)

Espargos, 15 Jun (Inforpress) – A coordenadora da “Casa dos Avós”, na ilha do Sal, lamentou hoje o facto de alguns idosos passarem por situações de solidão, negligência e violência física.

Elisa Brito fez essas declarações à Inforpress, a propósito do Dia Mundial da Consciencialização da Violência Contra a Pessoa Idosa, assinalado, hoje, 15 de Junho.

A data foi criada em 2006 pelas Nações Unidas e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa, tendo como objectivos reflectir numa questão social sensível e acabar com a violência contra a pessoa idosa.

O Estatuto do Idoso no parágrafo 1º do Art. 19, dispõe que, (…) considera-se violência contra o idoso qualquer acção ou omissão praticada em local público ou privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico.

A “Casa dos Avós”, espaço criado pela Câmara Municipal do Sal, para acolher os idosos, encontra-se actualmente fechada, tendo em conta o contexto de pandemia da covid-19.

Situação que tem provocado nos idosos “uma tristeza profunda”, conforme a coordenadora, Elisa Brito, que continua a desempenhar o seu papel de proximidade e auxílio ao domicílio à camada idosa do centro e não só.

“Juntamente com a família, familiares, vamos acompanhando os nossos idosos a nível da saúde e medicamentos, entre outras atenções”, esclareceu Elisa Brito, lamentando, entretanto, o facto de alguns idosos passarem por situação de solidão, negligência e mesmo de violência física.

“Trata-se de um assunto delicado. Não temos quantificado o número de idosos que passam por violência, vítimas de maus tratos, agressão, negligência, mas infelizmente depara-se com essa triste realidade”, censurou.

“Violência não é só física, mas também psicológica. Temos casos identificados, mas temos dificuldades de dar o devido encaminhamento, mormente retirar o idoso do seu seio familiar porque não temos um espaço adequado para o efeito”, conta em tom de preocupação.

Segundo a coordenadora, pais, pessoas idosas, que precisam de cuidados, se tornam uma responsabilidade para seus filhos ou familiar que têm que levá-los ao médico, administrar medicações, lidar com esquecimentos, confusões, também com as suas teimosias e manias (…).

“É uma fase que pode ser muito complicada, mas também é a hora de retribuir toda a dedicação que eles tiveram com os seus filhos. Os papéis se invertem. Um dia, nos damos conta, que não somos mais nós que precisamos dos cuidados dos pais, mas eles que precisam de nossa dedicação, amor, afecto e carinho”, reflectiu.

Nesta reflexão, Elisa Brito apela às pessoas, familiares e filhos que têm o seu idoso em casa, ou morando sozinhos a procurarem lidar com as dificuldades dessa idade da vida de um ancião.

Considerando a necessidade de um lar de idosos na ilha, a responsável disse que dentro das suas competências, condições e possibilidades a “Casa dos Avós” que acolhe 17 idosos diariamente (actualmente com as portas fechadas), vai “acarinhando e cuidando dos idosos”, consentindo-lhes alegria e bem-estar.

“Pelo menos já é um grande espaço que temos no Sal para acolher os idosos. Sentem-se satisfeitos por lá estarem. Pena que chegou a pandemia, o que nos obrigou a fechar as portas. Mas vou visitá-los, e quando chego a casa deles, são lágrimas a escorrerem pela face marcada pelo tempo. Têm saudades do centro”, conta Elisa Brito, esperando que o mundo, a ilha e o País voltem à normalidade e “tudo se faça de novo”.

SC/CP

Inforpress/Fim

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