Ilha do Sal: “Clima laboral que se vive no País é assustador” – sindicalista (c/áudio)

Espargos, 10 Jan (Inforpress) – A presidente do Sindicato dos Transportes, Comunicações e Administração Pública (Sintcap), Maria de Brito, considerou que o clima laboral que se vive no País, e particularmente na ilha do Sal, “é assustador”.

Maria de Brito falava em conferência de imprensa a propósito da manifestação prevista para o dia 13 de Janeiro, para denunciar a situação sócio laboral no País e exigir do Governo o “cumprimento efectivo dos compromissos”.

“Estamos a perder ganhos que conseguimos ao longo destes quase 45 anos como país independente, com lutas reivindicativas. As empresas e instituições estão a retirar os direitos aos trabalhadores num piscar de olhos”, lamentou, responsabilizando o Governo pela situação.

“Há um descontentamento generalizado do trabalhador cabo-verdiano por causa da precariedade laboral. O vínculo laboral não lhes permite uma vida melhor, acesso ao crédito (…)  O patronato tem o poder nas mãos. E os nossos governantes têm a consciência disso”, reprovou, asseverando que no Sal, por exemplo, “há um desrespeito” pelos trabalhadores do sector hoteleiro e turístico.

“Esses trabalhadores sofrem que nem imaginam. Nem fazem ideia o que é o dia-a-dia de um trabalhador dentro do hotel. Na maioria das vezes trabalham 11 a 12 horas por dia e no duro. De lomba, como se diz no bom crioulo”, condenou.

Além destas situações, Maria de Brito condena ainda o facto de os empreendimentos hoteleiros tratarem os trabalhadores como “descartáveis”.

“Na sequência da precariedade laboral que esses hotéis vêm praticando, o trabalhador é descartável. O trabalhador é admitido, trabalha um a dois anos (…) depois, na época baixa, são mandados para a casa, obrigando-os a assinar documentos, como se estivessem a auto despedir-se. Sem direito a indemnização nem compensação. É essa a realidade que se vive no Sal”, censurou.

Considerando essas situações laborais, a sindicalista disse esperar que os trabalhadores adiram “em massa” à manifestação prevista para o dia 13 Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia.

“Temos a consciência do país que temos, e das limitações financeiras… Todas as reivindicações não poderão ser resolvidas, obviamente. Não exigimos isso. Mas o Governo tem que dar algum sinal aos trabalhadores cabo-verdianos. Prometeu muita coisa e não cumpriu com quase nada”, concluiu.

SC/AA

Inforpress/Fim

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