Ilha do Sal: Agentes culturais juntam-se numa manifestação “silenciosa” reclamando trabalho e mais atenção à classe (c/áudio)

Espargos, 14 Jan. (Inforpress) – Os agentes culturais, na ilha do Sal, juntaram-se hoje a tarde numa manifestação “silenciosa”, levada a cabo a nível nacional, para reclamar trabalho e melhor atenção à classe, “fortemente afectada” pela pandemia da covid-19.

Na ilha do Sal, o evento encabeçado pelo DJ e organizador de eventos, Sandir Palavra, teve lugar na pedonal da cidade turística de Santa Maria, tendo os músicos, Dj, produtores de eventos, entre outros artistas respondido em massa, ao apelo da classe.

“Estamos cientes do problema. Mas estamos a pedir uma reabertura gradual para permitir as actividades culturais, especialmente nas ilhas onde não tem havido registos de casos de covid-19”, manifestou Sandir Palavra.

Sandir Palavra explicou que esta manifestação silenciosa seguida de uma caminhada, também sisuda, ao longo da pedonal é para mostrar que estiveram mudos e calados, sem trabalhar, praticamente, durante esses dez meses.

“Não tivemos qualquer apoio ou auxílio do Governo. Ninguém se interessou ou procurou saber como é que estamos. Somos pais e mães de família, muitos com problemas graves de sobrevivência”, exteriorizou, apontando que o Governo tomou algumas medidas, sem, contudo, conforme disse, ter ouvido essa classe profissional.

“Se não trabalharmos, não poderemos pagar as nossas contas, assumir as nossas responsabilidades, pôr a panela ao lume… ninguém dá conta disso. Cada um vai-se desenrascando como pode. Muitos de nós estão a passar por grandes dificuldades mesmo”, desabafou.

Sandir Palavra, para quem cada situação deve ser analisada caso a caso, queixa-se, por outro lado, da actuação e abordagem das autoridades, quer da Polícia Nacional (PN) quer da Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE) que, conforme desabafa, têm provocado um “clima de medo” no seio das pessoas.

“Aqui no Sal, por exemplo, estamos com medo das autoridades, da abordagem da polícia, da IGAE… até parece que somos nós os principais transmissores da covid-19”, exteriorizou.

O futuro é uma incógnita, mas o grupo de artistas no Sal quer uma abertura gradual para trabalhar em segurança e ganhar o seu pão.

“A nossa terra, o turismo é cultura, e não apenas sol e praia, morabeza ou gente bonita”, advertiu.

Para a artista Alcione Gomes, que se associou à manifestação, a situação, “de facto”,  tem sido um “tédio” para os profissionais da área.

“Estamos cansados de tanta pasmaceira durante estes dez meses inactivos, parados sem fazer nada. A música é o nosso ganha-pão, e hoje vemo-nos com os braços cruzados”, lamentou, com a sensação, conforme acentuou, de estarem abandonados à própria sorte.

“Sentimo-nos abandonados. Não tivemos nenhum tipo de apoio do Governo. Não fomos acolhidos como os outros sectores. Cada um vai puxando a brasa à sua sardinha. Isso é triste”, exteriorizou, admitindo, entretanto, que a pandemia veio mostrar que as pessoas são capazes de encontrar outras saídas de sobrevivência, e não ficarem atreladas e acomodadas à rotina, à mesma coisa.

“Com a falta de apoio e atenção, conseguimos inventar, reinventar e apostar noutras coisas. No nosso caso concreto, a pandemia mostrou que podíamos fazer muito mais do que a música”, confessou.

SC/CP

Inforpress/Fim

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