Ilha do Maio: Caleiro mais antigo quer partilhar seu conhecimento com os mais jovens

 

Porto Inglês, 08 Nov (Inforpress) – O caleiro mais antigo da ilha do Maio, Porfírio Santos Neves, disse hoje à Inforpress que quer partilhar o seu conhecimento nesta área de produção de cal com os jovens, sector que considera estar “praticamente no esquecimento”.

Porfírio Santos Neves, natural da localidade de Morrinho, também conhecido por Pipi, explicou  que aprendeu a trabalhar na produção de cal “muito cedo” com as pessoas mais velhas na altura, pelo que se dedicou com “bastante amor” a esta profissão, razão pela qual pouco tempo depois passou a  dirigir a construção de fornos.

“Depois de muita observação e dedicação comecei a dar os meus primeiros passos como construtor de forno, assim aos poucos fui fazendo o meu próprio forno”, considerou a mesma fonte, até que, passado algum tempo, passou a empregar algumas pessoas na produção, porque na altura “a cal tinha serventia”.

Segundo Pipi, a produção de cal na ilha do Maio era feito em  “grande quantidade”, razão pela qual semanalmente chegavam navios para fazer o carregamento para transportar para a ilha de Santiago e para algumas ilhas do Barlavento como São Vicente, por isso deseja passar a sua experiência aos mais jovens.

Neste sentido, Pipi está a  ministrar uma formação neste ramo a  12 jovens da localidade de Morrinho,  financiado pela União Europeia e SDTIBM, e que conta com o apoio das câmaras municipais do Maio e de Loures (Portugal), Instituto Marquês de Valle Flores, bem como  DNA, MAA, enquadrado no projecto dinamização e requalificação turística da ilha.

“No Maio existiam muitos sítios em que as pessoas produziam cal e de boa qualidade, só que nos finais dos anos 80, com o aumento da utilização do cimento na construção civil, a cal começou a perder o seu valor”, declarou, o que fez com que, ajuntou, nos anos 90 ninguém já produzia este material de construção.

Conforme adiantou aquele produtor de 85 anos, até à década de 80 todas as casas eram construídas a base de cal, por isso disse acreditar que este produto ainda pode vir a ser valorizado.

No entanto, adiantou que isso só pode ser possível se as pessoas voltassem a valorizar o que se produz no país e na ilha, em particular, porque as casas construídas com cal “são mais frescas” das que são construídas só com cimento.

“O meu desejo é que eles  apreendam e dêem a continuidade a está pratica muito antiga, porque na ilha praticamente as pessoas mais velhas que faziam a produção de cal já morreram quase todos, o mais velho que ainda resta sou eu, e tenho 85 anos”, concluiu Pipi.

WN/AA

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos