Ilha do Fogo: Rede local de prevenção e combate à violência sexual contra crianças e adolescente oficializada nos próximos dias

 

São Filipe, 25 Ago (Inforpress) – Os participantes numa acção de formação de cinco dias promovida pela Associação Crianças Desfavorecidas (Acrides) sobre “Enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes”, decidiram pela criação de uma rede local que vai ser oficializada nos próximos dias.

A formação destinada a profissionais, líderes comunitários e técnicos das instituições que lidam com a problemática de violência sexual contra crianças e adolescente, foi ministrada por três técnicas brasileiras e resultou de uma parceria entre a Acrides, ECPAT Luxemburgo e ECPAT Brasil, com objectivo de estabelecer conceitos, princípios, directrizes e acções de prevenção a esta problemática.

Lourença Tavares, presidente da Acrides, mostrou-se convicta, no final da formação, que com a criação e oficialização da rede local, vai-se conseguir continuar e vencer esta luta contra a violência sexual das crianças e adolescentes em Cabo Verde.

Esta disse a título de exemplo que o fenómeno continua a crescer e apontou como exemplo uma denúncia recebida do exterior de uma pessoa que pretende deslocar a Cabo Verde com a finalidade de abusar e explorar sexualmente as crianças e adolescentes, e por isso, todos devem estar atentos para combater esta prática.

O vereador da edilidade de São Filipe, Lucas Alves, frisou que os dados sobre abuso e exploração sexual tem aumentado e que todos os incentivos para o combate efectivo desta prática é de extrema importância, esperando que os participantes na formação e integrantes da rede local possam, com o conhecimento e competência adquiridos, contribuir para a sua eliminação.

Rosana França, uma das formadoras, disse que a proposta da formação baseava numa troca e uma metodologia centrado no diálogo e que os participantes foram receptivas e trouxeram questões desde a actuação como profissionais e a vivência familiar.

“A formação atingiu o objectivo que era provocar a reflexão e analisar em que medida o trabalho realizado está a chegar no destino e ajudar a eliminar a violência sexual”, disse a formadora, que acredita que a formação pelo nível de participação vai render bons frutos.

Com relação a criação da rede, Rosana Franca indica que os profissionais precisam saber o potencial que cada um tem e o lugar que ocupa, observando que como ela integra pessoas de diferentes instituições, se cada um entender qual o seu papel nesta grande rede de produção, as pessoas podem erradicar a violência sexual em Cabo Verde.

O foco da formação, explica a formara, foi a violência sexual mas para atingir o tema era preciso fazer algumas reflexões anteriores e que mexe com a estrutura, isto porque a violência sexual, assim como as outras violências, elas são construídas baseado pelo machismo, sexismo e outros conceitos, e é preciso não só ser contra a violência sexual, mas as pessoas devem rever estes conceitos nas relações de poder, relação entre homem/mulher, adulto/criança.

Os participantes destacaram a metodologia utilizada e a dinâmica com que os conteúdos foram orientados, mostrando assim mais preparados e com mais conhecimentos para contribuir no combate a violência sexual de criança e adolescente em Cabo Verde.

Na formação participaram mais de duas dezenas de pessoas das ilhas do Fogo e do Maio, sendo que os participantes do Maio são pessoas que integram a rede local, constituída há pouco mais de um mês, na sequência de uma acção de formação nesta temática.

JR/AA

Inforpress/Fim

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