Ilha do Fogo: Primeira fase do projecto de preservação das aves marinhas termina no final de 2019

 

São Filipe, 28 Set (Inforpress) – O projecto de preservação das aves marinhas em Cabo Verde, financiado pela Fundação Mava e executado em parceria com as universidades de Barcelona (Espanha) e Coimbra (Portugal) e várias ONGs cabo-verdianas, terá a duração de dois anos.

Esta primeira fase do projecto, cujo término será em finais de 2019, com possibilidade de uma segunda fase de mais dois ou três anos, vai abranger todas as aves marinhas de Cabo Verde e todas as áreas importantes de reprodução das distintas espécies, sendo consideradas áreas mais importantes as dos ilhéus Raso e Branca e a ilha de Santa Luzia (Barlavento) e os ilhéus Rombos, Grande e São Lourenço (Sotavento).

O professor do Departamento de Biologia Animal da Universidade de Barcelona, Jacob Gonzalez-Solis , disse que nas ilhas de Sotavento o projecto vai ser coordenado pela universidade de Barcelona, juntamente com o Projecto Vitó.

Nas ilhas de Barlavento, explicou, pela universidade de Coimbra, em parceria com a ONG Biosfera Um, sendo que uma quipa de Barcelona vai também coordenar os trabalhos de seguimento de Gongon, nas ilhas de Santo Antão e S.Nicolau, e Rabo Jungo, na ilha da Boavista e Sal, enquanto a universidade de Coimbra vai trabalhar também com Rabo Jungo no ilhéu Raso, assim como outras espécies como João Preto, Cagarra e Alcatraz.

O projecto, que foi apresentado aos parceiros nacionais na semana passada, na ilha de Santiago, pretende atingir todas as aves marinhas e todas as áreas de reprodução que são os ilhéus, com excepção de Gongon que reproduz nas montanhas e por isso os trabalhos vão estar focalizados nas quatro ilhas mais montanhosas, Fogo, Santiago, S.Nicolau e Santo Antão.

Jacob Gonzales-Solis, acompanhada de uma especialista portuguesa que vai coordenar a equipa de Sotavento, disse que em termos de Gongon nas ilhas do Fogo e Santiago há um acompanhamento de vários anos, mas que em relação a Santo Antão e S.Nicolau apenas dispõe de informações de que há esta espécie , mas desconhece o lugar onde reproduzem, o tamanho populacional, as ameaças que estão sujeitas, o que torna difícil fazer algo para preservar e combater as ameaças.

O projecto não visa apenas preservar as aves marinhas, mas tem uma parte social para sensibilização dos pescadores para melhorar a interacção deles com as aves marinhas, que, muitas vezes , são capturadas ou perseguidas, e das comunidades rurais para melhorar a conservação das aves marinhas, mas também com as escolas, produzindo materiais específicos, sobretudo para as comunidades que moram perto das áreas de crias de Gongon.

Outro aspecto importante do projecto, considera Jacob Gonzales-Solis, é a capacitação de técnicos nacionais para trabalhar e desenvolver investigação científica das aves marinhas .

Neste contexto, para a região de Sotavento, o projecto vai contratar cinco técnicos nacionais para trabalho de campo, seguimento das aves marinhas, identificação de ninhos, controlo da população e todas as actividades, e outros dois para região de Barlavento.

Além disso, o projecto prevê um orçamento para financiar dois estudantes de doutoramento, nas universidades de Barcelona e Coimbra, e financiamento para dois outros estudantes cabo-verdianos para fazer formação na área de master em Biologia de conservação nas duas instituições de Ensino Superior.

O objectivo geral do projecto, salientou o responsável, é o de melhorar a conservação e o conhecimento das aves marinhas, porque apesar dos trabalhos realizados nos últimos 10 anos, ainda há muito por conhecer, apontando por exemplo que existe um conhecimento muito básico nas áreas de nidificação e reprodução de Gongon.

“Cabo Verde é um lugar importante para as aves marinhas. Tem oito espécies de aves marinhas, sendo quatro delas espécies endémicas, e a única forma de conhecê-las é estudá-las em Cabo Verde, mas até agora não houve muito esforço na investigação”, disse o especialista espanhol.

Indicou que para melhorar a conservação e conhecimento será desenvolvido um conjunto de actividades para conservação e capacitação de técnicos de Cabo Verde para trabalhar com as aves.

Conhecer as áreas importantes para as aves marinhas, tanto na terra como em mar, é um dos objectivos e as equipas vão colocar dispositivos de seguimento remoto (GPS) para controlar movimento das aves marinhas e com esta informação definir as áreas mais importantes no mar que no futuro podem ser candidatas a áreas a serem protegidas para melhor conservação das aves marinhas como o ecossistema marinho no geral.

Em Cabo Verde, existem oito espécies de aves mais comuns, nomeadamente Gongon, Pedreirinho de Cabo Verde, Pedreiro e Cagarra (endémicas) e Alcatraz, Rabo Jungo, Pedreiro Azul e João Preto que reproduzem em Cabo Verde e noutros locais do mundo.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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