Ilha do Fogo: Hospital regional vai dispor a partir de Novembro do serviço ambulatório de otorrino (c/áudio)

São Filipe, 05 Out (Inforpress) – O hospital regional São Francisco de Assis passará a dispor, a partir de Novembro, do serviço ambulatório de otorrinolaringologia exclusivo com materiais e equipamentos doados por um especialista italiano, já falecido, e que se encontram no hospital.

O director do hospital regional São Francisco de Assis, Evandro Monteiro, disse, em entrevista à Inforpress, que nos próximos dias, vai-se proceder à montagem do novo aparelho audiómetro (uma cabine audiométrica) e que todas as ferramentas cirúrgicas já estão no hospital e que o hospital vai fazer a inauguração do novo serviço, no próximo mês de Novembro.

Segundo a mesma fonte, os materiais foram doados por um especialista italiano na área de otorrino, já falecido, e que o hospital pretende prestar-lhe uma homenagem de agradecimento no acto da abertura desta nova valência.

A partir de 05 de Novembro e no quadro das parcerias com médicos e associações internacionais chegam dois especialistas italianos, um gastrenterologista/endoscopia e um otorrino para apoiar o hospital nas respectivas áreas de especialidades, com atendimento de pacientes.

No quadro das parcerias, o hospital recebeu recentemente uma equipa de três especialistas estrangeiros (cirurgia plástica, cirurgia geral e anestesistas) para iniciar um trabalho, que terá seguimento, através de um plano “muito ambicioso e social” com doentes oncológicos que foram tratados e curados, mas apresentam alguma sequela ligado a todo o processo da patologia.

“Começamos uma primeira fase de tratamento de doentes e em Janeiro de 2019, haverá uma segunda fase, onde iremos concretizar uma etapa muito importante para o tratamento mental e físico de uma paciente”, disse Evandro Monteiro, indicando que o tratamento abrange outros doentes oncológicos porque o objectivo é dar satisfação aos pacientes.

Em meados de Junho/Julho, o hospital, no quadro da parceria entre especialistas estrangeiros e nacionais, realizou cerca de 200 cirurgias de catarata com implante de lente intraocular, em alguns casos que, segundo o director do hospital, “são ganhos extraordinários para a saúde da população”, observando que o sistema é social e os pacientes praticamente não arcaram com nenhum custo, graças aos parceiros do hospital como a câmara, a Associação de Solidariedade e Desenvolvimento (ASDE), as associações italianas e todo o engajamento da equipa local.

Este indicou que existe uma articulação com o hospital Agostinho Neto para deslocações periódicas e pontuais de especialistas nacionais com o objectivo de diminuir, cada vez mais, a actuação especializada nas áreas médicas.

Quanto ao especialista cubano na área de oftalmologia, Evandro Monteiro confirmou que termina a sua missão, mas tranquiliza a população porque está assegurada a vinda de um outro especialista para dar continuidade ao trabalho.

Trata-se de um quadro cooperante cubano e não haverá vazio com a saída do especialista que nos últimos anos prestou serviço neste estabelecimento hospitalar, assegurou.

Evandro Monteiro revelou que existe um levantamento e o ministério tem um plano sanitário para ser implementado até 2021 onde estão delineadas todas as necessidades em termos de recursos humanos e de especialistas para esta unidade hospitalar.

É nesse quadro que foi inaugurado recentemente o serviço de fisioterapia, que o hospital foi contemplado com uma obstetra nacional que desempenha cargo de directora clínica, uma nova enfermeira, afirmou, indicando que porque o hospital não pode esperar até 2021 é que a direcção está a fazer muita coisa com parceria nacional e estrangeira.

Relativamente às críticas de que o hospital regional funciona mais como uma estrutura privada do que pública, priorizando consultas suplementares em detrimento das consultas ditas “normais” e o “preço exagerado”, Evandro Monteiro, justificou que as consultas suplementares são legais e devem ser feitas dentro da legalidade e que a tabela do preço está regulamentada na lei.

“Somos um hospital público e, no público, quem pode deve pagar conforme está na lei”, disse o director, para quem “as consultas são consultas e as urgências fazem-se no mesmo dia e o mais atempadamente possível”, mediante pagamento do valor estipulado na lei, sendo que os profissionais de saúde têm isenção.

“As pessoas que não têm recursos também não pagam, mas há informações que passam despercebidas porque as pessoas não conhecem a realidade do hospital e há muita desinformação”, advogou o director, para quem as críticas relacionadas com o “preço exorbitante não correspondem à realidade” e apontou como exemplo as cirurgias de cataratas, em que se cobrou o menos possível aos doentes, nem sequer a taxa do bloco.

“Há alguma desinformação e as pessoas deviam dirigir-se aos responsáveis para aclarar estas informações, fazer reclamações e apontar sugestões”, disse o director do hospital que não é favorável de lucrar com os serviços que prestam aos utentes.

No seu entender, é “importante” uma educação para que as pessoas saibam que a saúde é um bem raro, necessário, mas é um bem caro e quem arca com todo o custo é o próprio sistema.

Segundo o mesmo, a qualidade do serviço prestado nos últimos tempos não regrediu como pretendem fazer crer algumas pessoas, pois os “dados mostram que a qualidade melhorou”, embora possa existir situações pontuais ligadas ao exercício da actividade.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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