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Ilha do Fogo: Estivadores promovem manifestação contra a contratação de oito trabalhadores

 

São Filipe, 09 Mar (Inforpress) – Os estivadores do porto de Vale dos Cavaleiros promovem hoje uma manifestação contra a decisão da Enapor de contratar oito trabalhadores, de um grupo de 18, por um período experimental de dois meses.

Esse grupo deve substituir oito estivadores que aguardam a reforma.

O presidente do Sindicato da Industria, Agricultura, Comércio, Serviços e Afins (SIACSA), Gilberto Lima, que representa os estivadores, disse à Inforpress que o problema laboral no porto de Vale dos Cavaleiros é “gravíssimo”.

“Depois de ouvir os estivadores do porto de Vale dos Cavaleiros pude perceber a dimensão da situação laboral existente, que não é muito pacífica e os trabalhadores estão altamente prejudicados”, considerou Gilberto Lima, indicando que há trabalhadores com 49, 42, 27 anos de trabalho que estavam inscritos no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e que “foram cortados” e, consequentemente, “deixaram de beneficiar das prestações”.

Além disso, indicou o sindicalista, existem trabalhadores que viram reduzidos a categoria profissional, passando a receber muito menos do que antes, trabalhador que “teve acidente grave” no serviço e ainda continua numa situação de debilidade e lhe foi informado de que tem de aceitar trabalhar como aguadeiro, em vez de vigia portuária.

A situação mais grave, segundo a mesma fonte, é a selecção e recrutamento de oito trabalhadores, conhecidos como “basaltos”, para substituir igual número de estivadores que devem ir para casa.

Mas a selecção, precisou a mesma fonte, foi feita “sem qualquer critério” e há até situação que configura “caso de nepotismo” na selecção dos mesmos, porque, segundo Gilberto Lima, há famílias próximas da pessoa que dirige o porto de Vale dos Cavaleiros.

“O critério, além de não ter sido bem feito, pergunta-se porque de entre os 18 trabalhadores (basaltos) porque 10 ficaram de fora”, afirma o sindicalista, indicando que quando a Enapor afirma que a classe de estiva não fica prejudica, “isso não corresponde à verdade”, porque o que acontece é ter os “basaltos” a trabalhar em regime experimental para dois meses, quando a lei estipula que só podem trabalhar os efectivos, e que só depois de esgotar a lista dos efectivos é que os “basaltos” podem trabalhar.

“Há várias situações que depois de analisadas e trabalhadas, os estivadores vão intentar uma acção no tribunal contra a Enapor porque a situação ultrapassa todos os limites”, disse Gilberto Lima, indicando que o SIACSA vai fazer “de tudo” para resolver a situação porque não é admissível colocar uma pessoa de 50 anos no quadro da empresa, deixando de fora outra de 40 anos, quando, à partida, teria de escolher a pessoa com menos idade que garante a sustentabilidade laboral da empresa.

Gilberto Lima, que chegou na tarde de quinta-feira à ilha do Fogo e reuniu-se de imediato com os estivadores, disse que antes os mesmos já tinham reunido com os deputados da Nação que estão de visita ao círculo para expor a difícil situação reinante no porto de Vale dos Cavaleiros.

Perante este cenário, os estivadores concentram-se às 08:00 horas no largo de Enacol, sítio onde normalmente concentram para aguardar o transporte para o porto.

Depois vão organizar uma volta pela cidade com cartazes e vão concentrar-se, finalmente, junto do edifício de Enapor, no porto de Vale dos Cavaleiros, numa manifestação pacífica, exigindo direitos e clarificação da situação.

A manifestação, segundo Gilberto Lima, conta com a colaboração dos agentes da Policia Nacional para garantir a segurança durante a mesma.

JR/AA

Inforpress/Fim

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