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Ilha do Fogo/Estátuas: “A história não se faz removendo a história” – Fausto do Rosário (c/áudio)  

São Filipe, 23 Jun (Inforpress) – O professor e activista cultural Fausto do Rosário considerou que a “história não se faz removendo a história” e que é um “grande disparate” a ideia de remover estátuas de figuras da época colonial.

Em declarações à Inforpress a propósito do movimento ligado a retirada de estátuas de personalidades devido a eventual envolvimento com a escravatura, indicou que, “se a moda paga”, Cabo Verde terá de encontrar outra forma de “contar e reescrever” o próprio achamento do arquipélago.

“É um absurdo começar a recuar e a eliminar tudo aquilo que são fontes e símbolos da história a ponto de escrever a história à nossa maneira”, sublinhou.

Na cidade de São Filipe existem três estátuas de figuras da época colonial, nomeadamente Serpa Pinto (Presídio), Leão Maria do Rosário de Sacramento Monteiro (praceta defronte ao palácio de justiça) e João de Figueiredo (Alto de Aguadinha) e, todas elas têm toda a razão de estarem nestes espaços, referiu.

“Não estão como símbolos de esclavagismo, mas porque desenvolveram acções que beneficiaram, dentro do contexto colonial, a ilha do Fogo”, indicou Fausto do Rosário, esperando que ninguém venha a ter a “triste ideia” para propor que se retire o busto do poeta Pedro Cardoso, colocado no largo com o mesmo nome, que tanto glorificou Cabo Verde como Portugal.

Serpa Pinto, segundo o mesmo, está no Presídio porque foi graça a acção dele que se desenvolveu um conjunto de infra-estruturas na cidade de São Filipe, como a dotação de água a então vila, hoje cidade, de São Filipe, salientando que a homenagem que se fez nada tem a ver com as suas eventuais aventuras de explorador em África, apesar de ter deixado uma contribuição notável em relação aos cursos dos rios no continente.

Por sua vez, em relação ao Leão Maria do Rosário Sacramento Monteiro, filho de gente do Fogo e que foi Governador de Cabo Verde, a homenagem não se deve ao seu passado de comandante, mas porque na última grande ameaça de fome (1969) em que de facto o espectro da fome pairou sobre a ilha do Fogo, ele teve a coragem de reter dois aviões Hércules na ilha do Sal, carregados de mantimentos e outros suplementos para a guerra de Biafra.

Segundo a mesma fonte, ele fez descarregar e distribuir pelas ilhas mais afectadas, caso da ilha do Fogo, os mantimentos e suplementos, salientando que até hoje, no imaginário de muita gente, continua a lembrança de, pela primeira vez, ter entrado na ilha um cereal (cevada) que ninguém, na altura, sabia como preparar.

“Os suplementos vitamínicos e os mantimentos que foram distribuídos pela ilha foi graça a acção dele, e é, por isso, que a praceta deixou de ter o pequeno repuxo para receber, merecidamente, a estátua de um Governador que evitou que a ilha passasse por momento de fome”, rematou.

Quanto a João de Figueiredo, ele lembrou que a homenagem se deveu a duas “grandes acções”, sendo a primeira ligada ao sector da Educação, porque foi ele, na qualidade de Governo, que começou o movimento que levou as escolas para as zonas rurais da ilha com a construção das escolas de Santa Marta, São Jorge, Feijoal, Ribeira do Ilhéu, vilas de Igreja e de Cova Figueira.

As escolas, segundo Fausto do Rosário, tinham um perfil arquitectónico bem localizado e permitiu que a ilha saísse do ciclo dos explicadores, que tinham alvará dos governadores, e que eram renovados anualmente, para escolas públicas, o que resultou num salto qualitativo, não obstante a ilha continuar com um grande número de analfabetos.

Outra razão, explicou, está ligada a canalização de água de Praia Ladrão até a cidade de São Filipe, isto porque a primeira canalização de Serpa Pinto sofria de alguma deficiência e na década de 40 do século passado estava obsoleto.

“É com João de Figueiredo, sob a proposta da câmara, que se faz a canalização de água de Praia de Ladrão à Cidade de São Filipe que até hoje abastece a cidade”, disse Fausto do Rosário, indicando é por esta razão que a estátua foi colocada no depósito de Aguadinha, na parte alta da cidade e não à frente de nenhuma das escolas mandadas construir.

Este concluiu que “não há motivos nenhuns” para “a não manutenção das estátuas” nos espaços emblemáticos da cidade de São Filipe.

JR/AA

Inforpress/Fim

 

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