Ilha da Boa Vista junta-se a marcha silenciosa para homenagear Giovani Rodrigues (c/áudio)

Sal Rei, 08 Jan (Inforpress) – A ilha de Boa Vista vai juntar-se no sábado, 11, a marcha silenciosa, igualmente organizada noutros pontos do país e da diáspora, para “protestar e contestar” a morte de Geovanni Rodrigues, estudante cabo-verdiano, em Bragança, Portugal.

A marcha silenciosa, segundo o promotor da iniciativa, Lamine Rash, em declarações a inforpress, é uma forma de demonstrar que a ilha “não esta indiferente e parada” perante a morte do jovem em Bragança, onde há muitos boavistenses a estudar, que “estão a vivenciar a tragédia” naquela cidade portuguesa.

Para o activista é preciso fazer justiça, por isso disse esperar a “participação em massa” dos boavistenses e residentes na ilha para contestar esta morte que considera “barbara, à toa e chocante”.

O organizador da marcha na ilha de Boa Vista avançou que a marcha silenciosa, que terá a duração de três horas, será “passiva, calma e sem ataques a ninguém”, acompanhada, entretanto, segundo o mesmo, de mornas e guitarra, com preces de “descanso à alma do jovem”.

A mesma fonte informou ainda que existe um grupo online de todos que estão envolvidos nas marchas, quer a nível nacional ou internacional, para que estejam todos “alinhados” sobre os trâmites das marchas.

O organizador pediu que as pessoas da Boa Vista “não fiquem de mãos cruzadas”, erguendo-se e “em pé a defender a justiça” sob a morte de Geovanni, com sentimento de “mágoa e dor”.

Este guineense que vive em Cabo Verde há mais de dez anos, contou que pisou as ilhas precisamente para estuda, e que hoje orgulha-se de terminar os estudos e ainda de se sentir igualmente enquadrado na sociedade cabo-verdiana.

Por isso, nostalgicamente, Lamine disse sentir “a dor” por alguém que decidiu emigrar para estudar fora e “certamente” objectivando um regresso “formado homem” para o seu País, sonho agora “interrompido”.

“Ouve-se sempre relatos do género, mas situações do tipo não deveriam acontecer. Tenho parentes guineenses que estão fora e que querem saber deste caso”, disse Lamine, realçando que os seus conterrâneos emigrantes e estudantes no exterior ou em Cabo Verde sentem a mesma dor da morte do jovem cabo-verdiano em Bragança.

O organizador da marcha silenciosa na Boa Vista, que procura trabalhar a nível social e cultural nestas ilhas, garantiu que “não deixará esta causa em branco na ilha”.

Lamine Rash solicitou que o traje seja branco “obrigatório” ou preto para a marcha que vai partir as 9:30 da Shell, com passagens perto da zona do chafariz, na Barraca, e da Esquadra, Centro de Artes e Cultura (CAC), Bom Sossego e o ponto final será na praça de Sal Rei.

Luís Giovani dos Santos Rodrigues, 21 anos, natural dos Mosteiros, ilha do Fogo, morreu em 31 de Dezembro de 2019 no Hospital de Santo António, no Porto, Portugal, depois de ter sido espancado alegadamente por um grupo de indivíduos na cidade transmontana de Bragança, no passado dia 21 de Dezembro.

VD/AA

Inforpress/Fim

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