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IIª Universidade Nhanha Bongolon arrancou hoje na cidade da Praia com questões raciais como pano de fundo

Cidade da Praia, 26 Jun (Inforpress) – A IIª Universidade Nhanha Bongolon arrancou hoje na cidade da Praia com questões raciais como pano de fundo, tendo o evento ficado marcado pelo lançamento do livro “Tecendo Redes Anti-racistas – África, Brasis e Portugal”.

Em declarações aos jornalistas, o membro do colectivo Nhanha Bongolon, o sociólogo cabo-verdiano Redy Wilson Lima, explicou que a iniciativa foi pensada no ano passado, mas que é resultado de um trabalho que vem sendo feito desde 2014.

A ideia, conforme explicou, era criar uma plataforma onde seriam colocados pesquisadores, intelectuais, técnicos e activistas para discutirem questões que afectam a sociedade cabo-verdiana de baixo para cima, “não numa perspectiva de cima… institucional”.

“Foi nesse sentido”, disse Redy Lima, justificando a escolha do nome de Nhanha Bongolon, pelo facto de esta ser uma “figura muito importante”, mas, ao mesmo tempo, “muito invisibilizada”, em Cabo Verde.

“Queremos ressaltar o facto de quem é Nhanha e a sua representação na sociedade cabo-verdiana, na revolta de Ribeirão Manuel e por ser uma figura feminina”, acrescentou.

Segundo fez saber este membro do colectivo Nhanha Bongolon, pretende-se levar a discussão para fora da academia.

O objectivo, informou, é juntar essa ideia da Universidade Nhanha Bongolon com o segundo seminário, tecendo redes anti-racistas, que é uma rede de activistas e pesquisadores transnacionais de Brasil, Portugal, Cabo Verde e outros países da África de Língua Portuguesa, para fazer essa discussão sobre o racismo, o colonialismo e como é que afectam e se sobressaem hoje nas diferentes sociedades.

Sobre o livro “Tecendo Redes Anti-racistas – África, Brasis e Portugal”, a brasileira Renisia Garcia Filice, uma das suas organizadoras, explica que o mesmo traz diferentes falas, contextos e percepções do racismo, de países da África, do Brasil e também e Portugal.

O objectivo, segundo referiu, não é só fazer a denúncia.

“É muito mais do que isso. É apresentar práticas de resistência, como por exemplo o de quilombolas que saíram de territórios isolados no Brasil e hoje ocupam universidades por políticas afirmativas e fazem total diferença, inclusive na produção de conhecimento, assim como os estudantes indígenas”, acrescentou.

Prosseguido, Renisia Garcia Filice acrescentou que a obra é uma possibilidade de se perceber e viver o racismo.

“Não só viver no sentido de introjectar as mazelas que o racismo traz, mas pelo contrário, no sentido de se romper com isto”, afirmou.

Especificamente em relação a contribuição de Cabo Verde, a organizadora da obra afirmou que procurou entender, do ponto de vista dos cabo-verdianos, quais são as dinâmicas que ocorrem por exemplo no rap, nas comunidades tradicionais que ajudem a pensar um outro Cabo Verde, não no ponto de vista do colonizador português, mas do ponto de vista do próprio cabo-verdiano.

“Eu acho que é isso a grande riqueza, é nos escutarmos, nos percebermos e ver o que nós estamos aqui a fazer, para além da cor da pele”, frisou.

GSF/JMV

Inforpress/Fim

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