IFH recorreu ao crédito bancário para entrar no capital do Novo Banco em 2010 – ex-PCA

 

Cidade da Praia, 10 Jul (Inforpress) – A participação da Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH) como accionista do extinto Novo Banco foi viabilizada com recurso a um crédito bancário de 75 mil contos junto da Caixa Económica, que agora está em processo de amortização.

A informação foi avançada hoje pelo ex-presidente do conselho de administração da instituição, Paulo Soares, em sede da audição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para esclarecer os contornos da criação e da extinção do Novo Banco.

Em resposta às perguntas dos deputados, Paulo Soares adiantou que a ideia inicial era que a participação da IFH fosse em espécie, isto é, com terrenos, mas que, devido à demora nas negociações e à exigência do Banco de Cabo Verde (BCV), a IFH foi buscar um financiamento junto da Caixa Económica para entrar para o capital inicial.

“Era um montante de 75 mil contos, 25% do capital inicial que era de 300 mil contos”, precisou, indicando que inicialmente foi uma descoberta bancária com um juro de 18%, na expectativa que o Novo Banco compraria os terrenos para a IFH ressarcir a dívida junto da banca.

Entretanto, passados alguns meses a administração do Novo Banco comunicou que a instituição não iria comprar o terreno pelo que a dívida foi transformada num crédito renda a uma taxa de 7,5 para ser amortizada em 10 anos.

Na sequência, Paulo Soares foi questionado pelos deputados do MpD porque é que a imobiliária recorreu ao crédito bancário para investir num segmento que não tinha nada a ver com o seu negócio, e se não terá sido pressionado pelo Governo para viabilizar o negócio da banca que não deu certo.

O ex-PCA da IFH disse que a decisão de participar no capital social do Novo Banco foi tomada na gestão anterior à sua, (que foi iniciada em Abril de 2010), e com anuência da Assembleia-geral, indicando que ele e a sua equipa apenas participaram na operacionalização do processo.

Entretanto, adiantou que a viabilização da participação foi na “firme” convicção de que com a criação de mais uma instituição financeira, haveria maior disponibilidade de crédito para as famílias que assim teriam condições de comprar.

“Para a IFH, o novo Banco era uma oportunidade de negócio já que era direccionado para a economia social, para apoiar as micro e pequenas empresas e principalmente trazer as pessoas da informalidade para a formalidade. Dando oportunidade de financiamento a essas pessoas e essas entidades era uma oportunidade para a IFH. É neste sentido que a IFH apoiou o processo de criação do novo banco”, disse.

Paulo Soares adiantou que estudos de viabilidade apontavam para a rentabilidade do banco a partir do segundo ano de existência, pelo que pareceu ser um bom investimento.

Por outro lado, sublinhou que a IFH tem activos imóveis calculados em 4 milhões de contos que precisam ser rentabilizados pelo que o investimento no sector na banca se ofereceu como uma “grande oportunidade”.

Quando questionado se concordava com os salários que eram pagos aos gestores do Banco, que era de cariz social (para além de um milhão de escudos entre renumerações e outros benefícios) Paulo Soares disse que não e adiantou que os accionistas quando souberam dos gastos com a gestão questionaram.

A experiência mal-sucedida do Novo Banco custou ao Estado cerca de um milhão e 800 mil contos e mais de 60 trabalhadores perderam os seus postos de trabalho.

Para além da IFH, eram accionistas do Novo Banco o Estado de Cabo Verde, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), Correios de Cabo Verde e Banco Português de Gestão.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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