Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Lei do Cinema/Um ano: ACACV defende adaptação da lei à própria realidade, profissionais da área dizem que nada mudou

Cidade da Praia, 25 Jun (Inforpress) – O presidente da ACACV, Júlio Silvão, defendeu a necessidade de consciencialização da lei do cinema cabo-verdiano e da sua adaptação, enquanto os profissionais da área afirmam que após um ano não há mudanças e nenhum impacto no sector.

O presidente da Associação do Cinema Cabo-verdiano e Audiovisual de Cabo Verde (ACACV) teceu estas considerações em entrevista à Inforpress, a propósito do primeiro aniversário da lei do cinema cabo-verdiano, aprovada em Junho de 2020.

Para Júlio Silvão, no primeiro aniversário o balanço “é positivo” pela simples iniciativa da aprovação da lei, isto porque, lembrou, é a primeira vez que Cabo Verde tem uma lei que regulamenta a produção cinematográfica com exibição e financiamento.

“Ainda é cedo porque um ano de vida de uma lei do cinema, que é uma actividade muito recente no país, é pouco, ou seja, no primeiro aniversário dificilmente podemos fazer outro balanço senão a adaptação à própria realidade”, declarou.

Segundo o presidente da ACACV, algumas instituições privadas que actuam na área de cinema e audiovisual paulatinamente têm-se adaptado à nova realidade, defendendo, no entanto, a necessidade de os fazedores do cinema em Cabo Verde se consciencializarem sobre a existência da lei.

“A ACACV tem notado que as solicitações de apoios e patrocínios têm sido feitas como se não houvesse a regulamentação do mercado. A lei nos obriga a ter determinados comportamentos e são essas condutas que temos que ter para que, de facto, daqui a alguns anos analisarmos se a lei ora aprovada resolve ou não os problemas da classe”, alertou.

De acordo com Júlio Silvão, cabe agora a cada agente do sector audiovisual e cinema no País fazer dessa lei uma cartilha, acrescentando que é preciso que os mesmos interiorizem sobre a existência deste diploma que foi criado para melhorar o sector.

“Temos de tirar proveito das vantagens que esta lei traz para o sector do audiovisual. É necessário conhecermos o regulamento, saber como é que as coisas funcionam. Cabe a cada um de nós procurar as informações sobre os nossos direitos e deveres por forma a garantir o funcionamento na normalidade”, afirmou, salientando que a ACACV irá trabalhar na promoção e maior divulgação dessa lei.

Alertou, neste sentido, aos fazedores do cinema e audiovisual para terem em conta a existência da lei, isto porque, lembrou, qualquer trabalho ou produção de conteúdos feitos à margem da mesma será considerada ilegal.

A Inforpress ouviu igualmente alguns profissionais da área sobre o aniversário da lei do cinema cabo-verdiano, tendo a cineasta Samira Vera Cruz se congratulado com a iniciativa, afirmando que a classe está satisfeita com o facto de o sector passar a ser regulamentado, mas que os agentes não sentem nenhuma mudança.

“A lei em si é positiva, é um passo no caminho certo, mas eu pessoalmente, não notei diferença com a sua aprovação, ainda não senti o impacto da lei”, declarou, lembrando que a lei do cinema foi criada para responder aos anseios da classe e dinamizar o sector.

Entretanto, salientou que a resolução dos problemas que afectam a classe e a melhoria no sector do cinema e audiovisual só serão possíveis se a lei for bem regulamentada, mostrando, por outro lado, total abertura da classe em colaborar no desenvolvimento do cinema cabo-verdiano.

“Esta lei só será boa se o Governo e associação trabalharem em paralelo com os profissionais da área, é preciso haver maior abertura para auscultar a classe. Nós vamos continuar a trabalhar, independentemente de a lei existir ou não, o trabalho que era feito antes continua a ser feito”, asseverou, congratulando-se com o facto de alguns profissionais cabo-verdianos estarem a ter bastante reconhecimento a nível internacional na industria cinematográfica.

Por sua vez, o produtor Pedro Soulé afirmou que a criação da lei foi uma excelente iniciativa e que se for bem regulamentada poderá trazer frutos e benefícios para o mercado do cinema cabo-verdiano daqui a alguns anos.

“Após um ano de aprovação da lei, não houve nenhuma mudança, nada foi feito. Obviamente que muita coisa ficou condicionada com a pandemia, mas sabemos que falta ainda fazer a regulamentação da própria lei, não tivemos conhecimento da criação de nenhum programa de incentivo para ajudar na sua regulamentação”, referiu.

Para que a lei seja efectiva, defendeu a necessidade de se ter uma plataforma de comunicação eficaz, ter o Governo como parceiro da associação e dos profissionais da área e criar programas de incentivo por forma a garantir a promoção da lei do cinema cabo-verdiano.

“Convinha ter por parte da associação e do Ministério da Cultura um departamento que ajudasse a identificar os projectos com impactos internacionais que ajudam na promoção do cinema cabo-verdiano e que agregam valor a indústria cinematográfica”, afirmou, salientando que Cabo Verde tem ainda muito caminho a percorrer na garantia do cinema de qualidade.

A lei do cinema visa estabelecer os princípios e critérios de acção do Estado na dinamização, protecção e incentivo à produção, distribuição, exibição e divulgação da arte do cinema e da actividade cinematográfica e audiovisual nacional, realizada ou produzida em território nacional.

Aquando da sua aprovação, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, considerou que a primeira lei do cinema vai permitir que Cabo Verde tenha um turismo de “spot nacional e internacional de produção e realização de filmes”.

O principal objectivo do diploma, sublinhou, é incentivar a produção nacional e transformar o país num spot de produção e realização de filmes.

CM/CP

Inforpress/fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos