Historiador cabo-verdiano propõe “estudo profundo” da perseguição aos “rabelados”

Cidade da Praia, 07 Nov (Inforpress) – O historiador e teólogo cabo-verdiano Jairzinho Pereira defendeu hoje, na Cidade da Praia, a preservação e estudo profundo do contexto histórico e sociológico da perseguição religiosa que vivenciou os “rabelados” que vivem na ilha de Santiago.

Jairzinho Pereira falava à imprensa, à margem da Conferência Internacional intitulada “Violência Colonial: perspectivas seculares e eclesiásticas (1919-1975)”, que decorre durante os dias os dias 7, 8 e 9 de Novembro, e reúne 27 especialistas dos quatro continentes.

Na ocasião, o historiador falou da necessidade de valorizar as memórias da violência colonial, tendo exemplificado com o caso dos “rabelados” (rebelados em Português) que constitui, segundo assinalou, “um caso paradigmático” de perseguição religiosa movida tanto pelas autoridades civis e eclesiásticas do então.

“Penso que uma das memórias a preservar é estudar profundamente o contexto histórico e sociológico desta perseguição, mas também ouvir os membros da comunidade dos rebelados que ainda estão vivos, falar com eles, entender o seu contexto, a sua vivência, o seu percurso histórico da comunidade (…)”, sintetizou o especialista.

A seu ver, este trabalho deve ser feito, considerando que os rebelados também fazem parte do património histórico e cultural de Cabo Verde.

De acordo com a mesma fonte, durante estes três dias, a conferência vai debruçar-se sobre a violência colonial de forma holística, nas suas mais diversas vertentes, levando não só casos concretos de Cabo Verde, mas també, europeias, da chamada África lusófona, América Latina, de entre outros, sobre, principalmente, as dinâmicas da geopolítica internacional, da participação dos estados latinos americanos em relação à geopolítica internacional, mediante a questão da violência colonial.

“Nós estamos a falar da violência colonial em toda as suas vertentes, as perseguições religiosas, por razões políticas, violência baseada no género, as violações e a violência perpetrada pelos militares, oficiais, civis, mas também a violência psicológica, exclusão, a violência no próprio sistema de educação. Daí este painel vasto de especialistas, de todo o mundo”, reforçou Jairzinho Pereira.

O evento é uma iniciativa do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do Instituto da Biblioteca Nacional, o Instituto do Arquivo Nacional e do Instituto do Património Cultural e o Centre for Mission and Global Studies da VID Specialized University de Stavanger (Noruega), que conta com a parceria da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago e do Centro Cultural do Brasil em Cabo Verde.

TC/JMV
Inforpress/Fim

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