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‘Helicóptero’ da NASA faz voo histórico em Marte

Cabo Canaveral, Estados Unidos, 19 Abr (Inforpress) – Um aparelho construído por seres humanos fez hoje pela primeira vez na História um voo controlado noutro planeta, com o ‘helicóptero’ Ingenuity, transportado por uma sonda da NASA, a descolar e pousar na superfície de Marte.

O Ingenuity (Engenho), que pesa cerca de 1.800 gramas, transportou um fragmento de tecido das asas que protagonizaram outro voo histórico: o do avião dos irmãos Wright, que fez o primeiro voo controlado registado na História, em 1903.

“Os dados do altímetro confirmam que o Ingenuity fez o seu primeiro voo. O primeiro voo de um aparelho propulsionado noutro planeta”, afirmou o controlador do helicóptero, Havard Grip, numa comunicação emocionada e aplaudida entusiasticamente pelos seus colegas da agência espacial norte-americana.

Os controladores de voo na Califórnia confirmaram a breve viagem do Ingenuity, que custou cerca de 85 milhões de dólares, pelos dados que receberam da sonda Perseverance, que ficou a cerca de 65 metros de distância.

O voo era considerado de alto risco, mas também altamente recompensador, se tivesse êxito.

“Cada mundo só tem direito a um voo inaugural”, afirmou a responsável da NASA pelo projecto do helicóptero, Mimi Aung, que chamou à experiência do voo um “sonho supremo”.

Aung e a sua equipa tiveram que esperar durante mais de três horas para saber se o voo pré-programado tinha ocorrido com sucesso, à espera que os dados da sonda fizessem a viagem de 287 milhões de quilómetros entre a Marte e a Terra.

Aplausos e risos soaram pelo centro de operações quando se concluiu que o Ingenuity tinha conseguido, reforçados quando chegou à Terra a primeira imagem a preto e branco da sombra que o Ingenuity projetou na superfície do planeta enquanto voava.

De seguida, chegaram imagens a cores tiradas pela sonda do ‘helicóptero’ a aterrar. Há uma semana, um erro de programação tinha impedido esta pequena viagem de acontecer, obrigando os engenheiros da NASA a arranjarem uma solução para o problema.

A NASA tinha apontado para um voo de 40 segundos. Embora ainda não sejam conhecidos todos os pormenores da operação, todos os objectivos foram conseguidos: as pás rodaram, houve descolagem, voo, descida e aterragem.

Para conseguir desempenhar a tarefa, as duas pás de rotor, que giram em sentidos contrários, precisaram de chegar a 2.500 rotações por minuto, cinco vezes mais do que seria preciso para o mesmo efeito na Terra.

A atmosfera de Marte tem apenas 1% da densidade da Terra e os cientistas tiveram que construir um helicóptero suficientemente leve e com pás a girar na velocidade certa para gerar a força ascensional necessária.

Ao mesmo tempo, o aparelho foi construído para suportar o frio extremo e o vento na superfície do planeta.

O Ingenuity demorou mais de seis anos a construir. Tem cerca de meio metro de altura e é suportado por quatro pés. A fuselagem, que tem baterias, sensores e aquecedores, é do tamanho de uma caixa de lenços de papel.

As peças com maior dimensão são as pás do rotor: cada par mede 1,2 metros de diâmetro.

O aparelho tem ainda um painel solar para carregar as baterias, o que é essencial nos 90 graus negativos das noites marcianas.

A pista de aterragem escolhida pela NASA é uma área de terreno relativamente desimpedida com cem metros quadrados.

O programa de actividades da NASA para o Ingenuity inclui mais cinco voos, cada vez mais ambiciosos. Se tiverem sucesso, o futuro poderá levar à criação de uma frota de ‘drones’ marcianos nas próximas décadas, que poderão fazer missões de reconhecimento e servir como transportes.

O desenvolvimento deste tipo de tecnologia poderá ter também aplicações na Terra, servindo para criar helicópteros capazes de navegar a grandes altitudes e a desempenhar missões em locais como a cordilheira dos Himalaias.

Por ter chegado a Marte acoplado à “barriga” da sonda Perseverance, os cientistas da NASA deram-lhes alcunhas. A “irmã mais velha” que levou o Ingenuity para o planeta é Ginny e o helicóptero que hoje se estreou é Percy, nomes de personagens do universo dos livros de Harry Potter.

Inforpress/Lusa

Fim

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