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Guiné Equatorial rejeita sanções “unilaterais e ilegais” impostas pelo Reino Unido

Malabo, 24 Jul (Inforpress) – A Guiné Equatorial rejeitou hoje as sanções financeiras “unilaterais e ilegais” impostas pelo Reino Unido ao vice-Presidente, Teodoro Mangue, e ao filho do actual Presidente do país por corrupção e desvio de fundos públicos.

Num “comunicado de repulsa” hoje publicado na rede social Facebook, o Ministério dos Assuntos Exteriores e da Cooperação da Guiné Equatorial manifesta “enérgica repulsa” do Governo às sanções “juridicamente infundadas” e exige que sejam levantadas com “a maior brevidade possível”, entendendo as sanções – que incluem a proibição de viajar ao país e o congelamento de activos – como um “gesto inamistoso” por parte do Governo britânico.

Segundo o documento, Teodoro Mangue “nunca realizou qualquer investimento no Reino Unido”, assim como “nunca teve nenhum processo judicial no Reino Unido ou Guiné Equatorial por nenhum motivo, muito menos por má utilização de fundos públicos”.

“As sanções sem fundamento impostas pelo governo britânico têm a sua justificação em manipulações, mentiras e iniciativas malévolas que promovem certas organizações não governamentais contra a boa imagem da Guiné Equatorial e dos seus representantes legítimos, nas quais, infelizmente, se basearam alguns Estados para levar a cabo processos judiciais contra sua excelência Exmo. sr. Vice-presidente da República”, refere.

O ministério alerta assim a comunidade internacional “do perigo” que representam “estas manobras” que violam o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas, criando um ambiente hostil contra os demais Estados.

Teodoro Obiang Mangue, de 53 anos, é punido pelo envolvimento na apropriação indevida de fundos do Estado e desvio para contas bancárias pessoais, realização de contratos corruptos e solicitação de subornos.

Segundo o Governo britânico, o estilo de vida luxuoso de ‘Teodorin’, como é conhecido, é “inconsistente com o seu salário oficial como ministro do Governo”.

Além de uma mansão de 100 milhões de dólares (85 milhões de euros no câmbio actual) em Paris e um jato particular de 38 milhões de dólares (32 milhões de euros), terá adquirido um iate de luxo, dezenas de automóveis de luxo, incluindo Ferraris, Bentleys e Aston Martins e uma colecção de objectos que pertenciam ao cantor Michael Jackson, com destaque para uma luva revestida de cristais usada na digressão do álbum “Bad”, avaliada em 275.000 dólares.

Teodoro Obiang Mangue foi condenado em Fevereiro de 2020, em segunda instância, a três anos de prisão suspensa e ao pagamento de uma multa efectiva de 30 milhões de euros ao Estado francês por ter adquirido indevidamente património considerável em França com dinheiro desviado dos cofres da Guiné Equatorial.

O país africano, membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), é presidido pelo pai, Teodoro Obiang, de 79 anos, no poder há 42 anos, desde 1979.

Segundo a justiça francesa, os juízes estimam um branqueamento de capitais na ordem dos 160 milhões de euros.

Na Suíça, 25 dos seus carros de alta cilindrada foram arrestados e vendidos por 21 milhões de euros, que foram então doados a um programa de ajuda social na Guiné Equatorial.

Outras pessoas adicionadas hoje à lista de sanções financeiras do Reino Unido são o empresário zimbabueano Kudakwashe Regimond Tagwirei cuja especulação com títulos do Tesouro provocou uma crise deflacionária no país, Alex Nain Saab Morán e Alvaro Enrique Pulido Vargas por abuso de programas públicos na Venezuela para fornecer alimentos e habitação a pessoas necessitadas, e o iraquiano Nawfal Hammadi Al-Sultan por corrupção e desvio de fundos enquanto governador da província de Nínive.

O colombiano Alex Saab, considerado um testa-de-ferro do Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, encontra-se detido em Cabo Verde desde o ano passado enquanto aguarda a extradição para os Estados Unidos, onde é suspeito de branquear 350 milhões de dólares (295 milhões de euros) para pagar actos de corrupção do Presidente venezuelano através do sistema financeiro norte-americano.

Saab regressava de uma viagem ao Irão em representação da Venezuela, na qualidade de “enviado especial” e com passaporte diplomático, no pico da pandemia de covid-19.

As sanções incluem congelamento de activos e proibição de viagens ao país, medidas que já foram aplicadas antes a outros 22 dirigentes e outras pessoas de países como a Rússia, África do Sul, Sudão do Sul e América Latina.

Inforpress/InLusa/Fim

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