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Granja São Filipe: Responsável realça importância do tratamento adequado para toxicodependentes (c/vídeo)

Cidade da Praia, 26 Jun (Inforpress) – A directora interina da Comunidade Terapêutica Granja São Filipe (CTGSF) disse hoje que o tratamento dos toxicodependentes na instituição é feito com base num projecto terapêutico em que o foco é a reabilitação e a recuperação do indivíduo.

Em entrevista à Inforpress sobre a importância do tratamento para os toxicodependentes, no âmbito do Dia Internacional contra o Uso Abusivo e o Tráfico Ilícito de Drogas, que hoje se assinala, sob o lema “Partilhe factos sobre drogas: Salve vida”, Zania Silva avançou que no tratamento a CTGSF baseia-se no Modelo Minnesota, que integra o princípio dos Doze Passos dos Alcoólicos/Narcóticos Anónimos (ANA), num período de seis meses.

“Oferecemos tratamento a indivíduos a partir dos 16 anos, seja homem ou mulher, por um período de seis meses, mas caso houver recaída aceitamos o paciente por mais três meses”, assegurou, realçando que o tratamento é feito em articulação com as estruturas de saúde.

O tratamento, segundo explicou a psicóloga e directora interina da CTGSF, é contínuo e acontece com base na terapia de grupo, sendo o medicamento usado apenas em pacientes cuja recomendação é da parceira saúde, por estes se encontrarem em situação de excesso de consumo de álcool ou outras drogas e devido a outras patologias apresentadas.

“Quando falamos de toxicodependência estamos a falar de uma doença, que não possui cura, mas que pode ser vencido com tratamento graças a avanços conseguidos e opções que se pode oferecer ao paciente”, referiu, indicando que no País existe a Granja de São Filipe, a Tenda El Shaddai, o Remar e outros centros que ocupam do vertente tratamento dos toxicodependentes.

O tratamento, conforme Zania Silva, “é importante” e permite ao indivíduo, que “perdeu o controlo da sua vida”, devido ao consumo excessivo, “dar a volta à vida e recuperar se tiver força de vontade”.

“Aliás, este ano, com o lema escolhido pela ONUDC para assinalar a data, estamos a estimular as pessoas a falarem dos danos causados à sua vida, devido ao consumo excessivo, e a recuperação para que salvemos outras vidas”, asseverou, indicando que quem fez tratamento na CTGSF tem todo o suporte do centro quando houver recaída.

Neste âmbito, explicou, no CTGSF tudo é feito com um propósito, daí a existência de uma equipa multidisciplinar, que visa dar respostas às situações que vão surgindo.

A Comunidade Terapêutica Granja São Filipe, que conta hoje com 23 pacientes, das quais seis mulheres, já acolheu802 pessoas desde a sua abertura até esta data, e possui uma taxa de recuperação “em franco aumento”, assim como sucessos nas taxas de recaídas.

“Penso que isso deve-se a uma maior consciencialização das pessoas face à situação de dependência. E o facto de estarmos a trabalhar em parceria com o sector da saúde temos mais respostas e acesso mais rápido à ajuda para tratamento”, ressaltou a responsável do CTGSF, que afirmou que no tempo da pandemia tiveram de adaptar-se para “uma melhor organização” dos pacientes e funcionários.

Tendo em consideração o apelo do lema da ONUDC, Irlanda, que se encontra em recuperação na CTGSF há quatro meses, contou a sua história de dependência, afirmando ter vivido no mundo de álcool e droga durante 11 anos.

“Hoje estou aqui no centro a seguir tratamento contra este mal e me sinto satisfeita. Por isso, apelo aos meus colegas que estão nesse mundo de dependência a procurarem ajuda, pois, eu estive no fundo do poço, mas agora sinto-me outra pessoa”, disse, realçando que com tratamento é possível deixar-se a dependência

José Luís, por seu lado, considerou que prestar testemunho sobre a sua condição de dependente de álcool e droga é a melhor forma de contribuir para que o oiçam não o façam.

“Hoje, em tratamento, partilho a minha vivência nesse mundo com maior consciência já que passei muitos anos na dependência, sobre muita dor e miséria espiritual. Nesta casa vim a busca de recuperação que irá acontecer um dia de cada vez”, relatou, apelando aos jovens a não entrarem no mundo da droga e álcool.

“O mundo das drogas é uma pura ilusão e não acrescenta nada à nossa vida, a não ser dor”, conclui José Luís, que sublinhou que a recuperação “é possível”.

PC/AA

Inforpress/Fim

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