Governo vai pedir ajuda à UNESCO para preservar património subaquático ainda sem catalogar – ministro da Cultura

Mindelo, 07 Nov (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, assegurou que o País vai pedir à Conferência Geral da UNESCO, marcada para a próxima terça-feira, 09, apoios para a preservação do património subaquático ainda sem catalogar.

O governante explicou que esta iniciativa surge na sequência de alguns ataques de piratas perpetrados em Cabo Verde e que já foram denunciados na comunicação social e às autoridades e agora, na próxima semana, na Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) ele próprio, durante o seu discurso, irá fazer esse apelo à comunidade internacional. 

“Vou fazer um apelo dizendo os factos e contabilizando as perspectivas de custos que estamos a ter pelo facto de não termos todo o património catalogado e mapeado”, asseverou Abraão Vicente que quer pedir mais financiamentos através de programas da UNESCO para fazer o mapeamento dos bens ainda debaixo de água. 

Isto porque, segundo a mesma fonte, Cabo Verde tem tido “três grandes focos” de ataques de piratas, Cidade Velha, Boa Vista e Maio, onde estão localizados navios de época afundados e com mercadorias que podem ter interesse histórico-patrimonial, mas que não estão a ser controlados. 

Neste sentido, o ministro que falava, no Mindelo, na apresentação do programa oficial da sexta edição da Feira de Artesanato e Design de Cabo Verde (Urdi 2021) evidenciou o papel dos pescadores, por exemplo da ilha do Maio, que visualizaram e denunciaram a retirada de artefactos subaquáticos. 

“Como ministro decidi fazer a denúncia pública porque tal como em 2017 houve um assalto ao museu subaquático ainda estamos à espera da parte das entidades de justiça uma resposta, um relatório sobre as investigações”, sublinhou Abraão Vicente, para quem o País está a correr um “grande risco” de perder um património, que “apesar de não se saber o valor é de Cabo Verde”. 

Daí, ajuntou, a necessidade de meios para fazer a vigilância subaquática e sua retirada e montagem dos museus, para não haver mais riscos de outros ataques de pirataria. 

Da riqueza subaquática, o ministro apontou os exemplos de dois navios do descobridor português Pedro Álvares Cabral, ainda antes da ida ao Brasil, que estão afundados em São Nicolau, numa profundidade que os bens existentes neste momento “não permitem verificar se tem algum bem material a ser resgatado”.

“É onde poderemos ir retirar o maior espólio em termos de projectos museológicos, não só para exploração de arqueologia e dos museus, mas também para o lazer de nacionais e de turismo para internacionais”, advogou, admitindo haver uma “ampla área” de investigação, que precisa da vigilância das autoridades locais. 

A Conferência Geral da UNESCO está marcada para a próxima terça-feira, 09, durante a qual se elegerá seu presidente, bem como quem ocupará a directoria-geral da Organização. O Conselho Executivo da Organização propôs a renovação do mandato de Audrey Azoulay numa reunião em Outubro último. 

LN/HF

Inforpress/Fim 

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