Governo: Mindelenses dizem que ainda é cedo para avaliar, mas observam sinais de “precipitação e incoerências”

 

Mindelo, 18 Abr (Inforpress) – Mindelenses de vários quadrantes da sociedade civil abordados hoje pela Inforpress consideram um ano de mandato “cedo” para avaliar o Governo, mas reparam nos “sinais de incoerência e precipitação” na tomada de certas decisões.

A propósito do primeiro ano de governação do Governo do Movimento para a Democracia (MpD), que se completa este sábado, a Inforpress ouviu elementos da população em relação ao desempenho do executivo de Ulisses Correia e Silva, eleito com maioria absoluta para governar o país.

O militar reformado Euclides Cardoso, por exemplo, avançou que no campo do cumprimento das promessas eleitorais ainda é cedo para avaliar porque o Governo está a trabalhar “aos poucos” e numa linha que, acredita, levará Cabo Verde ao “desenvolvimento desejado”.

Euclides Cardoso nomeou como ponto positivo a política de descentralização dos serviços onde já se verifica, conforme diz, “alguma flexibilidade” no tocante a participação dos municípios.

O militar reformado reparou, também, em algumas decisões “um pouco precipitadas” da parte de alguns governantes, as quais “têm chocado” a sociedade civil e algumas classes sociais, nomeadamente os artistas e jornalistas, mas acredita que o Governo está no “caminho certo” e que no final do mandato conseguirá cumprir boa parte dos seus objectivos.

A mesma opinião também é partilhada por João Rodrigues, ex-emigrante, que considerou este Governo com um ano “uma criança a aprender a andar” com políticos ainda “um pouco ingénuos”, mas que a seu tempo apresentará os resultados desejados.

“O que temos em Cabo Verde é um povo muito exigente e que não consegue observar que não há nenhum governo no Mundo que consegue cumprir todas as promessas eleitorais, que são feitas apenas com o propósito de subir no poder” concluiu.

A opinião de que ainda é cedo para avaliar é partilhada também pelo oficial de justiça Litos Sousa, que apontou, por seu turno, outros aspectos que considera que deveriam ser melhorados nomeadamente a questão da segurança e do emprego.

Algumas promessas como a contratação na função pública, que a princípio foi anunciada que seria à base de concursos públicos, não se concretizou, na opinião deste servidor público, que observou que tudo tem sido feito à base de nomeações.

“A criação de empregos em que se previa nove mil postos/ano teve uma clara regressão em ternos estatísticos” considerou o oficial de justiça, que acrescentou ainda que, em relação à sua classe profissional há um “certo descontentamento” que se prende com a discriminação em relação a funcionários da mesma categoria em outras funções, que dispõem de melhores regalias.

Um outro aspecto que Litos Sousa considerou que passou à margem das promessas do Governo relaciona-se a insegurança, da qual diz ter a percepção de que houve um aumento nos últimos meses.

Defendeu, por isso, que o combate à insegurança não passa simplesmente pela formação de mais agentes de segurança, mas pela implementação de medidas de política de educação e reinserção social de jovens no crime.

A professora Luísa Helena, por seu lado, considerou que o primeiro ano do mandato do Governo ficou “muito aquém” das promessas feita, tendo em conta a forma como a equipa do MpD se apresentou inicialmente ao cabo-verdiano como “a luz para a solução dos problemas”.

A professora considerou que o Governo tem sido “prepotente e precipitado” na tomada de certas decisões que são “totalmente incoerentes” com algumas politicas defendidas.

“Falo por exemplo da recente questão da isenção de vistos para cidadãos europeus sem reciprocidade, quando há decisões que deveriam ter prioridades”, afirmou, acrescentando que a questão dos passaportes biométricos ainda é “um sufoco”, para além das dificuldades que o cabo-verdiano enfrenta para conseguir um visto para a Europa.

Luísa Helena criticou também a decisão do encerramento de alguns centros de saúdes na ilha de São Vicente, o que considerou ser uma decisão a pensar apenas na “poupança de dinheiro” e que não encaixa nas políticas de saúde defendidas pelo Governo.

Já o taxista Lourenço Silva observou, por seu lado, que o Governo, desde o dia em que assumiu o poder está a governar sob “muita pressão” e a ser “cobrado a cada passo” e que a população está “muito atenta” a tudo o que acontece hoje neste país.

“O que todos esquecem é que o país foi entregue ao executivo de Ulisses Correia e Silva como uma maçã envenenada e mesmo com as dificuldades está a trabalhar”, concluiu o taxista, que defende que é preciso pelo menos dois anos de mandato para poder se fazer uma boa avaliação.

EC/ AA

Inforpress/ Fim

 

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