Governo esclarece que milho nunca foi objecto de regulação pelo Estado (c/áudio)

Cidade da Praia, 14 Jan (Inforpress) – O Ministério da Agricultura e Ambiente esclareceu hoje que o milho nunca foi objecto de qualquer tipo de regulação por parte do Estado, mas que o Governo tem vindo a apoiar o sector com medidas extraordinárias de mitigação.  

O esclarecimento foi dado pelo secretário do Estado para a Economia Agrária, Miguel Ângelo da Moura, em conferência de imprensa na Cidade da Praia, reagindo às informações veiculadas na comunicação social sobre o sistema do funcionamento do mercado nacional do mercado nacional do milho de segunda e do reflexo da subida de preço do referido produto. 

“O milho (de segunda) nunca foi objecto de qualquer tipo de regulação por parte do Estado de Cabo Verde. Por esta razão, o seu preço médio nos consumidores resulta das interacções entre as forças da oferta e da procura”, disse, indicado a disponibilidade, taxas de câmbio, transporte e seguros como sendo essas forças. 

Segundo o governante, a nível internacional verifica-se que o preço do milho a granel tem sofrido “importantes oscilações”, com tendência sempre em alta, desde o início da pandemia da covid-19, em Março de 2020, sendo que essas subidas “acentuaram-se ainda mais”, a partir de Outubro de 2020, sem esquecer que nos meses anteriores os preços nos principais mercados mundiais registou uma alta na ordem dos 24 por cento (%). 

“Como reflexo das oscilações dos preços do milho nos principais mercados internacionais, associados aos custos de outros factores, nomeadamente o frete internacional, a oscilação do câmbio do dólar em cerca de 43% no último semestre de 2021, além dos custos relacionados com algumas operações nacionais, tais como o custo de estivas nos portos do País, ensilagem/desensilagem, armazenamento, entre outros, a evolução do preço do milho grossista no mercado nacionais registou o valor mais elevado”, explicou. 

Miguel Ângelo da Moura sublinhou que, até o primeiro trimestre de 2021, o preço era de 1.844 escudos cada saco de 50 quilos, sendo que o valor máximo foi registado na ilha do Fogo, acima da média nacional, no valor de 1.945 escudos, contudo, durante o ano de 2021, o preço médio situou-se em 1.515,4 escudos por saco, representando um aumento em cerca de 32% em relação ao preço praticado em 2020. 

De acordo com o secretário do Estado, nessa altura, os impactos na produção da ração “só não foram mais gravosos, graças às medidas do Governo” para mitigar seus efeitos no sector pecuário, lembrando que a manutenção das medidas de subsidiação do preço do milho acarreta “elevados custos” para o Estado e, em última instância, para os contribuintes, acrescidos dos riscos de deformação do mercado pela via de especulação dos preços. 

“O Governo, através do Ministério da Agricultura e Ambiente, tem vindo a apoiar o sector, com medidas extraordinárias de mitigação, quer no contexto difícil da pandemia imposta pela covid-19, quer para os resultados do ano agrícola 2021/2022, aprovando a portaria nº 51/2021, de 23 de Novembro, para bonificação em 30% do preço da ração para gado ruminante”, avançou.  

O secretário do Estado para a Economia Agrária, Miguel Ângelo da Moura, entende que, sendo a pecuária uma actividade económica eminentemente privada, os produtores dispõem de instrumentos para ajustar e incorporar as oscilações e/ou subidas dos custos dos factores de produção, assim como “ajustar os processos produtivos à capacidade financeira”. 

Em relação a “tese do fim do sector da pecuária”, o secretário do Estado afirmou que “não se justifica e nem se vislumbra num horizonte mais pessimista, mormente numa ilha como a do Fogo, onde a resiliência tem sido o mote, sempre que as condições de mercado são alteradas. 

Miguel Ângelo da Moura fez ainda saber que o estoque de milho no País é assegurado pela importação efectuada pelas empresas (Moave, CIC e Upranimal), sendo que a reposição do produto está prevista para o próximo dia 16 de Janeiro, com a chegada de um lote de 5.000 toneladas de milho proveniente da Argentina. 

DR/HF

Inforpress/Fim

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