Governo diz que obras feitas no tempo do PAICV foram realizadas por quem “não tinha competência para as fazer”

Cidade da Praia, 10 Abr (Inforpress) – O Governo disse hoje que as obras realizadas na era do anterior governo foram feitas por quem não tinha competência para as fazer, pelo que se redundaram em “prejuízos” para o país, enquanto o PAICV diz o contrário.

Segundo a ministra das infraestruturas, obras “deficitárias” construídas pelo executivo liderado pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) constituem “elefantes brancos”.

Eunice Silva fez essas declarações no debate parlamentar sobre as infra-estruturas, agendado a pedido do grupo parlamentar do PAICV.

Para a governante, no passado cada ministério construía a sua própria infra-estrutura, tendo acrescentado que doravante esta situação não vai mais acontecer.

Em resposta, Filomena Martins (PAICV) contrariou as declarações da ministra, dizendo que sem os aeroportos internacionais construídos no passado o país não teria conhecido hoje o aumento de turistas que o visitam.

Para Filomena Martins, “não é verdade” que todas as obras haviam sido feitas de forma dispersa e que “as grandes foram construídas pelo ministério competente”, ou seja, o Ministério das Infra-estruturas.

Por sua vez, a bancada do Movimento para a Democracia (MpD-poder), na voz da deputada Georgina Gemié fez saber que o Governo tem adoptado “medidas criteriosas” em relação a investimentos, abrangendo todas as ilhas e tendo como pano de fundo a construção de um “Cabo Verde do conhecimento”, visando a “afirmação do país no tocante à sua centralidade no Atlântico”.

No tocante às infra-estruturas portuárias, adiantou a deputada, o Governo prevê investimentos no montante de 11.563 mil contos no período 2016/2021, enquanto no sector aeroportuário destacou obras em curso e em ‘pipeline’ no valor de 7.216 mil contos, nomeadamente a reabilitação da pista do Aeroporto Internacional da Boa Vista, Projecto Oásis-Praia e Sal e extensão da pista da “Ilha das Dunas” e adaptação para operações nocturnas, já em curso.

De acordo com a parlamentar eleita nas listas do MpD, a nível da construção de estradas e vias de acesso, o executivo “prioriza” investimentos superiores a 5.773 Mil contos e, em termos da habitação, está em carteira a reabilitação de seis mil casas até 2021 e que durante 2017 e 2018 foram reabilitadas 464 habitações.

“Depois de muita discussão, às vezes irracional, sobre a importância das infra-estruturas, hoje parece ser entendimento geral, que os investimentos na infra-estruturação do país são fundamentais para melhorar as condições de vida das pessoas e criar as condições ambientais que favorecem investimentos nacionais e estrangeiros”, indicou o líder do grupo parlamentar do PAICV.

No dizer de Rui Semedo, muito longe ficou aquele discurso “primário e retrógrado” de que as infra-estruturas eram “simples betões, que não se levavam às panelas e que não alimentavam as pessoas”.

“Deveríamos ter o consenso nacional sobre que infra-estruturas seriam importantes e prioritárias para merecer investimentos nos próximos anos e em que ilhas”, desafiou o líder da bancada tambarina.

Por seu turno, o líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição) entende que é da “responsabilidade de qualquer Governo fazer aquilo que tem que fazer para, no quadro das infra-estruturas, criar as condições para o bem-estar das populações e desenvolvimento da economia”.

“Infelizmente, nesses três anos de governação, ainda estamos muito aquém daquilo que o Governo prometeu durante a campanha eleitoral”, lamentou António Monteiro.

LC/ZS

Inforpress/Fim

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