Governo cria comissão interministerial para ajudar cabo-verdianos em zonas de conflito na Europa

Cidade da Praia, 07 Out (Inforpress) – O Governo criou esta quinta-feira, pela via da resolução de Conselho de Ministros, uma comissão interministerial de acompanhamento e apoio aos cabo-verdianos residentes em zonas de conflito, na Europa.

A informação foi avançada hoje pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional, Rui Figueiredo Soares, em conferência de imprensa para balanço da reunião ministerial.

Conforme adiantou, essa comissão destina-se essencialmente a dar respostas à situação dos cabo-verdianos que se encontram nas zonas de conflito na Europa, devido à guerra que se verifica na Ucrânia, com a invasão da Rússia.

“Temos vários estudantes, temos alguns cabo-verdianos que residem e podemos ter também cabo-verdianos que passem por essas regiões, e o Governo está através disso a constituir a comissão interministerial para dar resposta em termos de protecção consular aos nossos cidadãos”, disse.

Rui Figueiredo Soares adiantou que o foco principal, neste momento, são os estudantes na Federação Russa, que passam por algumas situações complicadas, devido às dificuldades nas transferências das bolsas de estudo e apoios dos familiares, por conta das sanções aplicadas à Rússia.

“Portanto, esta comissão destina-se, essencialmente, a permitir que as condições de existência desses estudantes sejam garantidas, como por exemplo o envio das bolsas e ajudas dos familiares que possam querer enviar, mas também garantir que os familiares tenham aqui um ponto focal ao nível de uma estrutura interministerial para obterem as informações do seguimento”, explicou.

Esta comissão para além de disponibilizar as ajudas necessárias tem também a função de organizar o repatriamento daqueles que, possível, possam querer voltar ao país devido à situação de instabilidade que se vive na região.

O ministro dos Negócios Estrangeiros adiantou que Governo não tem o número exacto de cabo-verdianos a viverem na região, indicando, entretanto, que a Federação Russa tem ainda um número significativo de estudantes, que ronda os 50, com os quais as autoridades têm estado em contacto permanente.

Alguns desses estudantes têm bolsa de estudo e outros recebem ajuda da Fundação Cabo-verdiana de Acção Social Escolar (Ficase).

Segundo adiantou ao longo dos últimos meses, o Governo e a Ficase têm estado a ver os mecanismos mais fáceis para chegar o envio das bolsas aos estudantes.

“Há algumas propostas, algumas que foram utilizadas não serão certamente o melhor caminho. Os familiares terão usado mecanismos que fogem ao controle do Estado. Por isso, nós estamos a ver com as missões diplomáticas e postos consulares existentes nos países para articular mais facilmente e fazer os apoios chegar aos cabo-verdianos”, explicou.

Rui Figueiredo adiantou que se conseguiu, num primeiro momento, a colaboração das entidades de outros países que têm representação da federação russa, nomeadamente Angola.

No entanto, disse que o país está agora a viver uma situação de dificuldade pelo que o Governo de Cabo Verde está a tentar contornar a situação por outras vias.

MJB/CP

Inforpress/fim

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