Governo assinala “prioridade máxima” para formação superior com ciência e fortalecimento do financiamento

Cidade da Praia, 23 Nov (Inforpress) – A secretária de Estado do Ensino Superior apontou hoje a aposta na ciência e o fortalecimento do financiamento para a formação superior como “prioridade máxima” do Governo nesta legislatura.

Eurídice Monteiro fez essa afirmação à imprensa, à margem da cerimónia de abertura 12ª Conferência do Fórum de Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa, que este ano acontece em Cabo Verde, na Universidade de Cabo Verde, sobre o tema “Desafios do ensino em novos contextos sociais e geopolíticos”.

“Para alcançar as metas dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) precisamos de uma sociedade moderna, resiliente e aberta ao mundo e a aposta na ciência tem vindo a ser encarada pelo Governo como prioridade máxima e é convergente a vários ministério e instituições”, disse, referindo-se também ao reforço de financiamento para formação superior.

Nesta perspectiva, realçou que o Governo está a trabalhar, neste momento, um conjunto de pacotes legislativos que implica não só o reforço de financiamento para as instituições do ensino superior, a criação de uma nova lei da formação superior, que vai permitir o estudante universitário beneficiar de financiamento para sua formação, como também financiamento para a área da ciência.

“Não se pode fazer ciência em Cabo Verde sem o reforço do financiamento e a consciência da necessidade do reforço da acção social universitária”, ressaltou, frisando que a formação superior no País deve estar assente no pilar da ciência.

Referiu ainda que com o reforço na área científica está-se a fortalecer a qualidade do ensino superior que também se faz através de investimentos e na busca de conhecimento.

Na sua declaração Eurídice Monteiro, apontou ainda um outro desafio e que tem a ver com prestação de serviços das universidades, que no seu ponto de vista, precisam transferir conhecimento à sociedade.

“Transferir conhecimento à sociedade tem o seu custo, daí que é preciso que as universidades identifiquem esta oportunidade como importante para a arrecadação de outras receitas”, recomendou.

Para a presidente da direcção do Fórum de Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forge), Margarida Mano, o tema da conferência aponta para um contexto novo social e geopolítico, provocada pela pandemia, mas também de dificuldades e instabilidade política no mundo e, sobretudo, da necessidade de o conhecimento e a qualificação devem ser essenciais na afirmação da sociedade no futuro.

“Por tudo isso, nos juntamos para olhar de frente e, sobretudo, estabelecer pontes necessárias para aquilo que nos une em todo mundo, enquanto instituições de conhecimento e de formação e educação”, assegurou.

Questionado sobre o desafio da sustentabilidade, a que mais dificulta de momento o ensino superior, Margarida Mano sustentou que esta é uma área fundamental, daí o facto de o Forges ter uma academia estruturada por grupos de trabalho em quatro eixos, nomeadamente, inovação pedagógica, qualidade, contexto emergente e sustentabilidade.

“A sustentabilidade é central e temos com a CPLP propostas de projectos de trabalho na área no sentido de criarmos uma rede de instituições sensíveis a questões sustentabilidade que é algo transversal e que tem a ver com comportamentos e atitudes, ambiente, com o que se ensina e com a investigação”, disse, sublinhado que a sustentabilidade deve ser exigência da sociedade e, naturalmente, para os ensinos de formação superior.

Neste âmbito, referiu que a qualidade que compõem os diferentes painéis em debate, nesta conferência, permitirá que todos saiam do fórum melhores preparados para enfrentar os desafios dos “novos contextos sociais e geopolíticos” que se impõe às instituições do ensino superior.

O reitor da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Arlindo Barreto, por seu lado, disse que este encontro só terá sentido se se encontrar meios ou instrumentos que permitam a realização concreta das ideias traduzidas em objetivos palpáveis, ou seja, sair da teoria e passar à prática.

“No que diz respeito a Cabo Verde há sinais claros do esforço por parte do Governo para a materialização de uma política de apoio ao desenvolvimento da ciência e investigação no ensino superior”, afirmou, referindo-se sobre a assinatura de um contrato programa realizado há poucos dias entre a Uni-CV e o Governo.

A 12ª Conferência do Fórum de Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa decorre na Uni-CV de 23 e 25 e conta com a participação de investigadores e instituições de ensino superior de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor.

Durante a décima segunda edição da conferência do Forges será debatida e refletido temas como “Novos contextos sociais e geopolíticos no ensino superior”, “Sustentabilidade no ensino superior”, “Ensino e investigação no ensino superior”, “Acesso, diversificação e internacionalização no ensino superior”, “Mercado de trabalho e o ensino superior”, “Gestão, liderança, governo e qualidade no ensino superior” e “Desafios do ensino superior em África”.

A 12ª conferência Forges tem como objetivo, a promoção de uma rede de estudo e investigação na área da gestão e das políticas de ensino superior no âmbito dos países de língua portuguesa, promover a aproximação de toda a comunidade académica, em especial os decisores da política educativa, partilha, aprendizagem e investigação de referência.

PC/AA

Inforpress/Fim

 

 

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