Governo apostou numa mudança de paradigmas que não trouxe resultados imediatos – Ludgero Correia

 

Cidade da Praia, 22 Abr (Inforpress) – O analista político António Ludgero Correia considera que o Governo apostou numa mudança de paradigmas que fez com que os resultados não fossem imediatos, motivo para merecer uma nota de 13 valores numa escala de zero a 20.

Segundo ele, o Governo de Ulisses Correia e Silva que completa um ano hoje, 22 de Abril, já concluiu 20% do seu mandato, e daqui a três meses, por altura do debate no Parlamento sobre o estado da nação, já estará com 25%. Daí que, entende que as expectativas em termos de resultados foram “muito elevadas”, o que acabou por gerar “uma certa ansiedade” por parte da população.

“Se fosse dar uma nota ao Governo era de 13 valores numa escala de zero a 20, ou seja, um suficiente mais, porque ele apostou numa mudança de paradigmas, mas toda a mudança de paradigmas implica o relançamento das bases de governação em que os resultados não são imediatos”, afirmou em declarações à Inforpress numa avaliação sobre o primeiro ano de governação do MpD.

Segundo o analista político, questões como o desemprego, a insegurança, as assimetrias regionais de desenvolvimento e a ligação inter-ilhas, por exemplo, “não se resolvem por decreto”, contudo, referiu, as pessoas pensaram que já no primeiro ano seria possível ver “flores e frutos”, porém isso “não é possível”.

Os resultados, conforme Ludgero Correia, podem ser vistos a partir do quarto ano do mandato, acreditando que no final da legislatura “nem todas as promessas estarão resolvidas”. Antecipa que já que na campanha de 2021 será solicitado mais um mandato para se poder cumprir todas as promessas, mesmo sabendo que elas foram feitas para serem cumpridas numa legislatura.

Quanto à aposta que o Governo liderado por Ulisses Correia e Silva fez num pacote de políticas que são “pilotadas” por uma equipa pequena, no entender do analista, é “interessante e pode dar frutos”, não obstante considerou ser “preocupante” ver as pessoas a pedirem substituições de ministros.

“Nestas situações temos dois cenários, a adequação de políticas ou a mudança de pilotos e/ou roteiros dos pilotos, porque as grandes linhas de políticas estão certas, o horizonte temporal é demasiado optimista, o que faz com que uma simples mudança de ministro, não venha a resolver o problema”, notou.

Em relação à situação dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), é categórico em afirmar que “nunca esperaria que essa questão fosse resolvida em 12 meses”, assim como o problema dos transportes marítimos, que desde o desmantelamento da empresa Arca Verde, considerou, “ficou complicado resolver”.

O maior calcanhar de Aquiles deste Governo, na visão de António Ludgero Correia, tem que ver com o posicionamento em relação à comunicação, visto que, argumentou, “anunciam coisas que não devem ser anunciadas”, ou seja, decisões que se tomam ou algo que se faz, mas que “não têm que ser anunciados para criar ansiedade nas pessoas”.

Na mesma linha, realçou, um outro problema é que este Governo “prefere ser chamado à pedra para vir à praça pública explicar-se e justificar-se, do que fazer uma comunicação pro-activa e preparando a sociedade para receber medidas de fundo e que possam ser controversas”.

“Choca ver que o partido que sustenta o Governo não funciona, porque é inconcebível ter bases do partido a atacar o Executivo, mas é o que acontece quando todos os quatro vice-presidentes do MpD foram para o Governo”, criticou.

Para os restantes quatro anos de governação, Ludgero Correia observou que o país tem um sistema representativo que funciona, mas que é preciso haver participação, porque apesar da população ter escolhido os seus representantes, não exige nada, deixando para o final da legislatura.

No seu entender, a opinião pública terá que funcionar, a comunicação social deve oferecer os veículos para que essa opinião pública se manifeste, fazendo uma avaliação contínua, estando permanentemente a descortinar as acções do Governo, para que as mudanças sejam introduzidas a tempo, e não fazer cobranças de cinco em cinco anos, em que os erros já estão cometidos e não há volta a dar.

O Governo liderado por Ulisses Correia e Silva completa este sábado, 22, o primeiro ano da tomada de posse.

DR/ZS

Inforpress/Fim

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