Gisele de Almeida partilha tecnologia de reutilização de águas residuais com cabo-verdianos

Cidade da Praia, 16 Abr (Inforpress) – A cabo-verdiana, residente no Senegal, Gisele de Almeida está a partilhar uma tecnologia de utilização de águas residuais, com baixo custo, com jovens cabo-verdianos para incentivá-los a absorver essa ideia como projecto empreendedor para minimizar a falta de água.

Esta ideia foi partilhada hoje no auditório da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) a estudantes universitários durante a palestra “Problemática de Reutilização de águas Residuais: Que tecnologias”.

Segundo Gisele de Almeida, após Cabo Verde ser assolado por dois anos de seca consecutivos, decidiu apresentar o projecto no país, principalmente porque viu que muitos agricultores têm utilizado as águas residuais na rega, sem que esses resíduos sejam sujeitos a um tratamento complementar, o que deixa também a produção agrícola contaminada.

“Nós temos uma tecnologia de origem japonesa que utilizamos em Senegal e nós somos certificados para fazer esse trabalho”, explicou Gisele de Almeida, adiantando que trabalha neste projecto deste 2004.

Conforme a mesma fonte, trata-se de uma tecnologia barata, natural, segura e que pode tratar as águas residuais de forma que os agricultores possam fazer as suas produções de uma maneira mais segura. Este tratamento, adianta ainda, não precisa de grandes investimentos e pode ser feito nas Estações de Tratamentos Residuais (ETAR) e também por pessoas que usam fossas sépticas.

“Quero trazer este projecto para implementar em Cabo verde porque vi que muita água está a ser desperdiçada e essa água pode ser tratada para ajudar os agricultores. Ao invés de ficarem só à espera da chuva eles poderiam trabalhar durante todo o ano. Isso pode mudar as suas vidas e eles podem ganhar mais dinheiro”, clarificou a mesma fonte, para quem devido aos baixos custos de investimento poderá ser uma ideia que os jovens podem abraçar para criar empresas de prestação de serviços nesse ramo.

Destacou que outro dado positivo é que com este tratamento pode-se eliminar, nas águas residuais, as lavras de mosquitos causadores de doenças como paludismo e a dengue.

Para o presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Uni-CV, Elvis Lopes, devido à localização geográfica do país, a falta de recursos hídricos é uma realidade que limita o desenvolvimento e bem-estar das populações. Por isso a reutilização das águas residuais para fins múltiplos deve ser encarada como “eixo central” para a gestão sustentável dos recursos hídricos.

“Na actual conjuntura em que vivemos, tecnologias eficazes que contribuem com a natureza e que ajudam a tornar o planeta mais sustentável devem ser promovidas. E a Uni-CV não poderia deixar de dar o seu contributo nesta causa para que possamos ter uma agricultura benéfica, racional e sem desperdícios”, enalteceu o docente.

Elvis Lopes defendeu ainda que a água residual, devidamente tratada, contribui significativamente para aumentar os recursos hídricos e proteger os ecossistemas porque reduz a quantidade de poluentes lançados e recicla os nutrientes no solo agrícola.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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