Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Gil Moreira forma jovens para darem continuidade às tradições de tocar cimboa e contação de estórias (c/áudio)

Cidade das Praia, 07 Ago (Inforpress) – O músico, actor e encenador Gil Moreira está a formar alguns jovens do interior da ilha de Santiago para darem continuidade à tradição de narração oral ou contação de estórias e para o resgate da tradição de tocar cimboa.

Estes dois projectos, que contam com o apoio do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do edital de financiamento 2019, segundo o autor, visam a valorização da tradição oral cabo-verdiana e a valorização e preservação de instrumentos etnocultural de Santiago, simbôa “cimboa em português”.

Segundo afirmou, hoje, em declarações à Inforpress, a cimboa é um instrumento musical que vem da base da escravatura, isto é, começou na formação básica da identidade social, cultural e musical cabo-verdiana, mas hoje em dia está em via de extinção.

Já a narração oral é uma manifestação cultural trazida pelos antepassados, mas que está a ser retomada pela nova geração, pois a intenção é trazer “sangue novo” e uma “maior dinâmica” para esta manifestação cultural.

Neste momento, informou que dez jovens, na faixa etária dos 20 a 30 anos, estão a participar numa formação básica em técnica de tradição oral e vertente lúdica e neste sábado, 10, vão iniciar a fase de construção de espectáculos no Palácio da Cultura Ildo Lobo.

“Antigamente os mais velhos tinham vontade de partilhar, tinham as suas estórias e as suas mensagens e escolhiam momentos para aconselhar. Por exemplo, se um jovem está na idade de sair de casa tinham um texto para prepara-los para uma vida a dois (…) e hoje estamos a trazer esta mesma vertente de contar estórias, mas com parte lúdica, com musicalização da estória, animação com frases e provérbios com vertente diferente”, informou.

Este activista teve a oportunidade de, no ano passado, participar no Festival Internacional de Narração em Lisboa (Portugal) onde, segundo disse, constatou que noutros países também há esta preocupação em resgatar as tradições e trazer outras dinâmicas.

No que toca ao projecto de resgate da cimboa, fez saber que com o financiamento do edital o artesão Pascoal de São Domingos já confeccionou mais de duas dezenas de cimboas, mas a ideia é pelo menos fazer 50 cimboas, que deverão ser distribuídos aos grupos de batuque de cada concelho.

“O nosso objectivo é que cada concelho tenha uma batucadeira e um tocador de cimboa, por isso vou deslocar-me ao interior para fazer a montagem de cimboa no terreiro”, disse.

Este activista cultural espera que outras instituições abracem este projecto, uma vez que tem deparado com falta de matéria-prima como cabaz e rabo de cavalo para a confecção da cimboa.

Gil Moreira reconheceu que este trabalho de tocador de cimboa não é fácil, porque o jovem tem de conquistar o dom e ter aptidões para este instrumento e ainda tem de conseguir identificar cada sonoridade das notas.

Entretanto, asseverou, com o apoio da sua companhia cultural estão a colocar as “mãos na massa” para ensinar o básico aos jovens, pois, a ideia é lançar esses dois projectos no âmbito do dia Nacional da Cultura em Outubro.

Recentemente, a companhia cultural de Gil Moreira esteve a representar Cabo Verde em Macau no Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Neste festival, informou levaram a cultura da ilha de Santiago, isto é, a tabanca, a cimboa, o batuque, a reza e o choro e conseguiram retratar a origem da cultura do povo cabo-verdiano.

Ainda, informou, teve oportunidade de ensinar a um compositor da Associação Amizade Macau-Cabo Verde a tocar cimboa com o seu grupo de batucadeiras, mas numa segunda fase vai ensina-lo a tocar cimboa com outros estilos.

Depois de Macau, a companhia esteve em Portugal, a convite da Associação de Cova da Moura e de Miguel Horta, onde participaram em actividades de contação de estórias para crianças.

Ficou ainda o compromisso de voltar em Outubro para ministrar uma formação sobre cimboa e contação de estórias.

AM/ZS

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos