Gana: Arlindo do Rosário reconhece que são vários os desafios colocados na luta contra paludismo

Acra, 12 Mai (Inforpress) – O ministro da Saúde reconheceu hoje que “são vários” os desafios colocados na luta contra o paludismo, tendo destacado a insegurança política, a pandemia da covid-19, bem como a crescente resistência dos vectores aos insecticidas na região.

Arlindo do Rosário intervinha na reunião do Fórum Ministerial da Iniciativa para a Eliminação do Paludismo no Sahel (SaME), enquanto presidente deste Fórum, realizada hoje em Acra, no Gana, à margem da 23 a Sessão Ordinária da Assembleia dos Ministros da Saúde da CEDEAO.

“Estamos cientes de que os desafios colocados na luta contra o paludismo são inúmeros”, disse, destacando que, para além da insegurança política, da pandemia de covid-19, da baixa cobertura de prestação de serviços, da estratificação de risco desactualizada, da carência em recursos humanos, da qualidade inadequada dos dados surgiu novos desafios como a crescente resistência dos vectores aos insecticidas na região.

“Com a chegada da pandemia da covid-19, e sendo certo que não pode justificar tudo, veio comprometer seriamente alguns sinais de avanço na luta contra o paludismo na nossa região. Com efeito apesar dos esforços louváveis dos países para mitigar o impacto das interrupções de serviço durante a pandemia e outras emergências, muitos países sofreram interrupções na continuidade dos serviços de prevenção e gestão do paludismo”, concretizou o governante.

De acordo com o ministro, isto poderá de facto comprometer a eficácia de intervenções, como as redes mosquiteiras tratadas com insecticida e a pulverização intra-domiciliar com efeito residual longo. A resistência dos parasitas do paludismo a alguns medicamentos também pode tornar esta doença muito difícil de tratar.

Entretanto, apesar dos desafios, constatou exemplos de boas práticas que servem de encorajamento, destacando o uso de supositórios de artesanato retal como tratamento pré-referência de casos graves de paludismo por agentes de saúde comunitários, a prestação de cuidados gratuitos ou subsidiados para o paludismo em crianças menores de cinco anos, a gestantes e puérperas.

Segundo o mesmo, a OMS Afro caracterizou a situação da malária na região do SaME, com aproximadamente 27,8 milhões de casos do paludismo e 76.047 mortes apenas em 2021, tendo a região do SaME com 3% da população em risco do paludismo, e é responsável por 12% da carga global do paludismo.

Houve, conforme indicou Arlindo do Rosário, uma diminuição constante na taxa de mortalidade por paludismo do ano 2000 a 2019 na referida região, mas, no entanto, apontou, houve um ligeiro aumento de 2019 para 2020.

“Países como Burkina Faso, Mali, Níger e Chade ainda são considerados países com alta intensidade de transmissão, enquanto Senegal, Gâmbia e Mauritânia são países com baixa intensidade de transmissão. Apenas Cabo Verde está com transmissão zero”, fez saber o responsável.

Para fazer face a esta luta, o governante apontou a necessidade de reforçar o sistema de vigilância integrada, tornando-o ainda mais eficaz, para que seja possível uma detecção precoce de casos com investigação, notificação e resposta em tempo real de acordo com os procedimentos nacionais e regionais de vigilância, incluindo a gestão de casos importados, no caso dos países que alcancem a eliminação autóctone, em particular ao nível das fronteiras marítimas e aéreas.

“É preciso também manter o compromisso de financiamento interno ou mesmo aumentar a capacidade interna de financiamento, aumentando a alocação de mais recursos financeiros aos programas destinados à eliminação do paludismo, através dos orçamentos dos próprios estados para que de forma sustentável e adequada seja efetivada a implementação das intervenções contempladas nos Planos Estratégicos quer a nível regional, quer os planos nacionais”, indicou.

Conforme Arlindo do Rosário, será sempre necessário prosseguir com um amplo programa de mobilização social e de envolvimento comunitário, tendo destacado, igualmente, a necessidade de reforçar os sistemas de informação sanitária, por forma a tirar partido da inovação e a disponibilização de novas ferramentas que vão surgindo na luta contra o paludismo.

TC/ZS

Inforpress/Fim

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