Futebol: Marco Soares despede-se da selecção nacional considerando ser altura de dar espaço aos mais jovens

Cidade da Praia, 18 Jul (Inforpress) – O capitão da selecção nacional de futebol de Cabo Verde Marcos Soares anunciou, hoje, a sua retirada da selecção nacional de futebol por considerar ser altura de dar espaço para os mais jovens, mas admite “não estar preparado”.

Depois de 16 anos na selecção nacional, Marco Soares se despede da equipa com sentimento de “gratidão” e revelou que a qualquer momento pode pôr um ponto final na sua carreira de futebolista para abraçar outros projectos e dar atenção também à família.

Marco Soares fez estas declarações uma conferência de imprensa, na Cidade da Praia, para anunciar a sua saída dos “Tubarões Azuis”, nome por que é conhecida a selecção nacional de futebol de Cabo Verde.

Aos 38 anos de idade, Marco Soares, que é um dos jogadores com mais internacionalizações por Cabo Verde, admitiu ainda que está a deixar a selecção, mas sente que tinha “perfeitas condições” para ainda poder ser o número 6 do combinado, uma vez que, sustentou, sente “muito bem fisicamente”.

“Foram momentos de muitas alegrias, algumas tristezas, mas achei que era o momento certo. Considero que a selecção está no caminho certo e, neste momento, custa-me menos de que se calhar tivesse que fazer isto a dois, três anos, altura que eu sentia que não estávamos no nosso melhor momento”, explicou.

Marco Soares lembrou do “início complicado” da selecção, em que participavam nas provas e não conseguiam apurar, tendo sublinhado que o apuramento para o Campeonato Africano das Nações (CAN) 2013 foi, sem dúvida, o ponto alto da selecção, e é um momento que irá guardar sempre na sua memória.

“E o último CAN que apuramos para mim teve um sentimento diferente porque já foi numa altura de muitas desconfianças em relação a mim por causa da idade, mas temos que parar de olhar para a idade porque idade não é competência e vemos vários exemplos, e as pessoas começam a olhar para idade e começam a desvalorizar as coisas. (…)”, enfatizou.

Nos últimos dez anos tivemos três presenças na fase final do CAN, num ‘play-off’ para o mundial, pelo que o futebolista acredita que este seja uma prova do que se tem feito a nível do futebol cabo-verdiano.

Marco Soares agradeceu a Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), na pessoa do seu presidente, Mário Semedo, tendo frisado que caso tiver que passar a camisola 6, gostaria de a entregar ao Ryan, Stopira ou Vozinha, por serem pilares também da selecção, deixando esta escolha para eles.

O futebolista contou ainda que, quando ingressou na selecção cabo-verdiana tinha 20 anos, uma altura em que foi convocado duas vezes para a selecção de Portugal sub 20, e tinha acabado de ser transferido para a Primeira Liga. Mas optou por escolher Cabo Verde.

“Optei porque, apesar de nascer em Portugal, a minha cultura desde criança, dentro da casa, foi cultura cabo-verdiana, crioulo em casa, funaná, cachupa, então sempre me senti cabo-verdiano e até os 16 anos em Portugal eu sempre contei como um cidadão estrangeiro porque eu não podia ter nacionalidade portuguesa na altura.

Por isso, salientou, quando foi convidado a fazer parte da selecção o “amor falou mais alto”, e pensou que fazia uma carreira “muito mais sustentada” na selecção de Cabo Verde, tendo almejado ser um bom exemplo para os jovens.

Por seu lado, o presidente da FCF, que acompanhou Marcos Soares na conferência de imprensa, agradeceu o capitão pelo seu desempenho em prol do desenvolvimento do futebol cabo-verdiano nos últimos 16 anos.

Mário Semedo sublinhou ainda que a federação vai continuar a contar com a experiência que o Marcos tem para continuarem a trilhar esse caminho, que conforme classificou “não é fácil, “mas a vontade supera todas as dificuldades”.

No entanto, afirmou que ainda não há nenhum cargo reservado para o jogador de futebol na FCF.

TC/CP

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos