Futebol: Clubes de Santiago Sul inviabilizam retoma da época 2020/21

Cidade da Praia, 16 Fev (Inforpress) – Os clubes de futebol da Associação Regional de Futebol de Santiago Sul (ARFSS) votaram contra a retoma da época desportiva nesta que é a maior região desportiva do país, alegando falta de condições infra-estruturais, financeiras e sanitárias.

A informação foi avançada à Inforpress pelo presidente da ARFSS, Mário “Donnay Avelino”, que justificou esta tomada de posição saída de uma reunião realizada sexta-feira, numa das salas do Palácio do Governo, em que num total de 19 das 22 equipas filiadas, “14 clubes votaram contra a retoma da época, quatro se abstiveram e um não se manifestou”.

A reunião, explicou este dirigente, só não contou com a presença dos representantes de São Domingos, Unidos do Norte e da Boavista, mas já se sabe que a equipa axadrezada, uma das grandes do futebol desta região, há muito vem demonstrando a sua indisponibilidade para a retoma da prova nesta fase da pandemia.

Perante esta decisão, Donnay Avelino disse que “neste momento está extremamente difícil a retoma do campeonato regional, pois, segundo a vontade dos clubes não estão reunidas as condições para a retoma da época”, realçando que a região carece de infra-estruturas capacitadas neste momento.

“O Estádio da Várzea, que é o nosso principal palco, encontra-se inoperante. A infra-estrutura que acolhe o treino da primeira divisão e jogos das 12 equipas do escalão principal  e de mais oito do segundo escalão está sem relva, agravada com a chuva de Setembro, e deixou de estar apta para quaisquer jogos regionais ou nacionais de futebol desde meados de Março”, lamentou.

Criticou que o projecto para a mudança da relva, assim como para obras de beneficiação e requalificação do balneário, vestiários, afirmando que tardam a concretizar-se na prática, ao mesmo tempo que denunciou a falta de alternativa ao Estádio Luís da Silva Bastos, tradicionalmente conhecido como Estádio da Várzea.

Disse que os outros campos da Cidade da Praia são destinados apenas para treinos das equipas do segundo escalão e que não constituem alternativas a Várzea, sobretudo pela sua dimensão reduzida para a prática de futebol de onze, exceptuando o Campo da Calabaceira, mas que neste momento conta com um relvado considerado impraticável e que coloca em risco a integridade física dos atletas.

A falta de balneários nos campos de treinos, segundo por Donnay Avelino, foi apontado pelos clubes como outro grande entrave para a retoma da prova, pois que consideram “fundamental para a abertura da época futebolística” o cumprimento do protocolo sanitário, para evitar o contágio e a propagação da covid-19.

Donnay Avelino fez questão de enaltecer a disponibilidade dos responsáveis do Estádio Nacional, em Achada São Filipe, em colocar esta que é a maior infra-estrutura desportiva do País para os jogos regionais, mas alega  falta de condições financeiras dos clubes para suportar os custos, sobretudo com as deslocações.

“Os clubes alegam ainda a falta de poderio económico para custear os testes à covid-19 exigidos. Há uma grande vontade para a retoma da prova, mas os clubes não têm condições financeiras, sanitárias e infra-estruturais para a prática do desporto”, revelou, afiançando que “a ARFSS não vai correr o risco de pôr em causa a saúde pública, quando se está a travar uma luta contra esta pandemia”.

Referiu que por cada dia dos jogos a ARFS teria de realizar quatro embates, referente a primeira e segunda divisão, o que “irá envolver pelo menos 200 pessoas, sem se contar com equipas de arbitragem, autoridades policiais, maqueiros, comunicação social, todo o “staff” da associação de entre outros intervenientes indispensáveis para a prática da modalidade.

Perante esta posição dos clubes, a direcção da ARFSS considera ser este “o momento ideal para que as entidades apostem num trabalho de fundo no Estádio da Várzea”.

Sabe-se, entretanto, que a Câmara Municipal da Praia já garantiu ter a sua disposição 60 mil contos para a remodelação do Estádio da Várzea e mais 32 mil para recuperar todas as restantes infra-estruturas desportivas da capital.

SR/CP

Inforpress/Fim

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