Fundação “Nós Tchada” quer dotar os pescadores, mergulhadores e peixeiras de conhecimento técnico (c/áudio)

Cidade da Praia, 04 Fev (Inforpress) – A Fundação “Nós Tchada” do bairro de Achada Grande Frente, na cidade da Praia, quer dotar os pescadores, mergulhadores e peixeiras de conhecimento técnico, relacionado com medidas de gestão e legislativas, segurança marítima, qualidade e conservação do pescado.

A informação foi avançada hoje à Inforpress pelo vice-presidente da Fundação “Nós Tchada”, Elton Delgado, que em parceria com a Associação de Pescadores e Peixeiras de Achada Grande Frente e várias instituições públicas e organizações internacionais, vai levar a cabo um conjunto de actividades para assinalar o Dia do Pescador, comemorado no dia 05 de Fevereiro.

No bairro de Achada Grande Frente, na cidade da Praia, segundo Elton Delgado, mais de 80 por cento (%) da população trabalha e vive (de forma directa ou indirecta) da pesca.

A maioria dos pescadores, peixeiras e mergulhadores, acrescentou, exerce esta actividade com o conhecimento transmitido de gerações para gerações, mas, infelizmente, falta-lhes algum conhecimento técnico sobre os vários assuntos ligado ao mar.

“Como sabemos eles não têm conhecimento aprofundado ou não conhecem a lei e, o nosso trabalho é fazer esse corredor entre as instituições para que quando eles tiverem alguma dificuldade saberem em que porta devem bater” disse.

Sob o lema “Pesca Sustentável – Pescar hoje com olhos no futuro”, as actividades iniciam-se nesta terça-feira, 05, com uma palestra, no Liceu de Achada Grande Frente, sobre a questão do micro plástico e a legislação sobre as tartarugas marinhas, ministradas pelos técnicos da Direcção-Geral do Ambiente.

O ponto alto das comemorações é no dia 10, em que está prevista a realização de um fórum e sobre a mesa vão estar em debate temas como políticas públicas ligadas ao sector da pesca, medidas de gestão, medidas legislativas, segurança marítima dos pescadores, doenças descompressivas: causas e consequências.

O bairro de Achada Grande Frente, informou este responsável, tem deparado com vários casos de morte de pescadores e mergulhadores, devido a doenças descompressivas, conhecidas no seio dos mergulhadores como “azoto no sangue”.

“Como cidadão de Achada Grande não quero perder mais amigos ou conhecidos. A Fundação quer dotar-lhes de conhecimento sobre as medidas de segurança que devem cumprir, porque senão, com o tempo, é o corpo que sofre com as consequências” alertou.

A Fundação quer ainda sensibilizar os alunos do ensino secundário deste bairro sobre os cursos ligados ao mar, e neste sentido convidou a Polícia Marítima para abordar este tema.

Conforme disse, a maioria desses alunos são filhos de pescadores e de peixeiras e como o “mercado está saturado em algumas áreas”, estes podem, futuramente, seguir esses cursos que ao fim ao cabo pode contribuir para o desenvolvimento das suas famílias e da comunidade.

Antes da realização do fórum, no dia 09, a Fundação promove um conjunto de actividades culturais e desportivas, envolvendo toda a comunidade piscatória da cidade da Praia e a população de Achada Grande Frente.

A actividade cultural será dedicada ao pescador Agnelo Pereira, conhecido por “Kutchéntchu”, e a peixeira Maria Garcia Cardoso Lopes, conhecida por “Colola” e o mergulhador Justinho Mendes, conhecido por “Fernandes”.

Para a materialização deste evento, a Fundação conta ainda com o apoio do Projecto “Xabalas diKomunidadi”, da Associação Pilorinhu, Festival Gastronómico de Frutos de Mar de Cabo Verde (FGFRCV) e Santiago Diving Lda.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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