Francisco Tavares já está exonerado do cargo de embaixador de Cabo Verde na Nigéria

Cidade da Praia, 09 Jan (Inforpress) – O Chefe de Estado, no seu primeiro decreto presidencial de 2021, deu por finda a comissão de serviço do embaixador Francisco Tavares na Nigéria, que havia sido recentemente nomeado para representar Praia em Lagos e, também, junto da CEDEAO.

O diploma de exoneração de Francisco Tavares, publicado no Boletim Oficial nº 1, I Série, de 08 de Janeiro, assinado pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, limitou-se a dizer que foi sob a proposta do Governo de Ulisses Correia e Silva.

Em Julho de 2020, Francisco Tavares, antigo presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, ilha de Santiago, foi nomeado embaixador de Cabo Verde na Nigéria, mas o nome foi criticado no país por ser um “embaixador político”.
Seis meses depois, o Governo decidiu substituir Francisco Tavares por outro embaixador a designar, com o ministro dos Negócios

Estrangeiros e Comunidades, Luís Filipe Tavares, a explicar que tem a ver com as dinâmicas negociais com a implementação e a integração dos membros da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) na Área de Livre Comércio Continental Africana, que entrou em vigor em 01 de Janeiro.

Luís Filipe Tavares, em conferencia de imprensa esta quarta-feira, explicou que, por uma “questão de estratégia”, o embaixador para Abuja vai ser um “diplomata de carreira e experiente”, recuando, assim, na nomeação de Francisco Tavares.

“Decidimos enviar para Abuja [na Nigéria] um diplomata experiente nas lides comerciais e negociações internacionais”, disse o chefe da diplomacia cabo-verdiana, justificando a decisão do Executivo, pelo facto de a dinâmica das negociações ter sido “muito forte” e, portanto, com “desenvolvimentos muito rápidos e permanentes”.

Para Luís Filipe Tavares, um outro motivo que está na mudança da decisão do Governo em relação ao diplomata a enviar para a Abuja, tem a ver com a necessidade de se ajustar a “estratégia política para a integração regional de Cabo Verde na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e, consequentemente, na grande zona de comercio continental, que entrou e vigor em Janeiro”.

Segundo ele, o Governo, ao optar por um diplomata de carreira para a capital nigeriana, fê-lo em ordem a “defender melhor” a condição de Cabo Verde, enquanto “pequeno país arquipelágico, insular e com um mercado muito reduzido”.

“Temos que ter muito cuidado nas negociações e a prudência recomenda uma mudança de estratégia para defendermos melhor os nossos interesses”, apontou o ministro que, apesar da insistência dos jornalistas, não avançou o nome do diplomata que vai para Abuja, alegando que o processo de acreditação está em curso, com o pedido de agreemment [consulta reservada feita por um governo a outro, para saber se o agente diplomático que o primeiro pretende acreditar junto desse outro é ou não do seu agrado e conveniência].

LC/JMV

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos