Fórum Panafricano: Dos dez países mais ameaçados pelo aquecimento global sete são africanos

Casablanca, 07 Mar (Inforpress) – Dos dez países considerados os mais ameaçados pelo aquecimento global sete são africanos, pelo que a presidente da rede “Os Panafricanos” defendeu que é necessário o envolvimento dos africanos nesse processo de adaptação das mudanças climáticas.

No primeiro dia da III edição do Fórum das Mulheres Jornalistas de África que teve início nesta sexta-feira, 06, em Casablanca, Marrocos, e que reúne 300 jornalistas de 54 países africanos, Fathia El Aouni afirmou que os desastres naturais, como seca e inundações, vêm diminuindo o desenvolvimento do continente e vêm contribuindo para a insegurança alimentar, provocando, por outro lado, a imigração.

Conforme disse, as mulheres africanas continuam mobilizadas na imigração, especialmente porque a migração climática afecta milhares de pessoas todos os anos e a ONU estima que 60 mil pessoas se deslocam por dia por causa das mudanças climáticas.

“Dos dez países em questão, sete estão na África. É uma situação ainda grave. Desses sete países, o Sudão do Sul é um dos que enfrenta uma situação dramática há alguns meses, porque a água submergiu e mobilizou um milhão de pessoas”, referiu.

Serra Leoa, Nigéria, Tchad, Etiópia, Centro de África e Egipto sãos os outros países que têm sofrido com as variações climáticas.

Diante da gravidade das consequências das mudanças climáticas no continente africano, Fathia El Aouni deposita uma “grande confiança” nas mulheres jornalistas, que, a seu ver, têm um papel preponderante em informar os cidadãos, mas também em influenciar os líderes políticos.

“Estamos unidas para falar numa única voz. Estamos unidas para encontrar, juntas, soluções e implementar acções para o nosso continente”, sublinhou.

Na mesma linha de raciocínio, a directora executiva da organização “Nipe Fagio” (Passe-me a vassoura, em português) da Tanzânia, Ana Rocha, considerou que a mídia tem um “papel importante”, na forma como leva a informação às pessoas que precisam dela para que possam mudar o seu comportamento, como em projectar as acções das pessoas que estão a fazer algo de diferente.

Para a mesma, que participava num painel sobre “Iniciativas e engajamento dos africanos para a adaptação às mudanças climáticas”, nota-se uma dualidade no continente africano.

Isto é, as pessoas têm consciência do que são mudanças climáticas, sentem-se vulneráveis face a essas situações, mas, por outro lado, não fazem nada para mudar, para prevenir ou para minimizar o impacto das mudanças climáticas na vida delas.

“As pessoas vêem que tem lixo em todos os lugares, as pessoas sabem que o lixo é um problema, sabem que traz doenças para as suas famílias e muito mais, mas ninguém pensa que de repente pode haver uma solução diferente (…) que podem ser adoptadas para melhorar o problema”, reforçou.

Conforme avançou, 65% do lixo no continente africano é orgânico, ou seja, são lixos das residências e que neste caso é necessário apostar na compostagem (separação do lixo orgânica do não orgânico e utilizá-la como adubo), pois, explicou, ao fazer isso conseguem resolver 65% dos problemas de uma só vez.

Na sua opinião, a “grande chave” para a melhoria do meio ambiente passa por fazer as pessoas repensarem as suas maneiras de viver e em colocar “pressão” no Governo ou no sector privado para que possam resolver os problemas que não conseguem resolver como comunidade.

“Essa pressão que temos de fazer no Governo ou no sector privado sem a mídia é impossível ser feita”, considerou.

Ana Rocha aconselhou as mulheres africanas a aumentarem o potencial das coisas que têm estado a fazer para minimizar essa questão de mudanças climáticas e que continuem a buscar soluções, porque “são elas que sofrem as maiores consequências, mas são elas que têm as soluções”.

No segundo e último dia do fórum, este sábado, será votada a agenda de trabalho da rede “Os panafricanos” para o ano de 2020.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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